Domingo, 23 de Novembro de 2008
Um português que desabafa

 

Em Portugal parece existir um grave problema de definição de prioridades. Diria mesmo que é como olhar para um exercício de Matemática e, em vez de se parar para pensar, começar a utilizar as fórmulas de forma compulsiva.
 
E começo pelo rendimento mínimo, que em muitos casos me parece um verdadeiro subsídio à preguiça e ao “dolce fare niente”. Não consigo conceber porque razão as pensões de reforma, que abarcam um universo de 600 mil pessoas, não são aumentadas, retirando-se a verba do dito subsídio. Há que recompensar quem toda a vida trabalhou de forma séria, dando-lhe uma qualidade nos últimos anos que mais não é do que uma manifestação de justiça. Em vez disso andamos a dar palmadinhas nas costas a quem se quer aproveitar dos dinheiros públicos para se fingir útil na sociedade.
 
Da economia passo para a saúde, com o aborto em cima da mesa. Mais do que ser contra o aborto, sou contra o referendo contra o aborto. Olhando para os números, será que há assim um segmento tão significativo de pessoas que recorra à interrupção voluntária da gravidez? Em vez disso, porque não olhar para os números que dão conta que 80% das pessoas morrem em situação de agonia extrema. Não seria bem mais sensato apostar num incremento ao auxílio aos cuidados paliativos, permitindo que os doentes terminais pudessem ter um fim de vida sem dor, cumprindo os seus últimos desejos? Para mim, mais do que uma questão política, é uma questão de direito. Agora já prevejo os comentários, só aqueles que estão do lado do aborto é que escolhem o caminho da liberdade e da escolha. São assim as regras...
 
Na educação, escuso-me a comentários perante um sistema que permite que os alunos até ao 9º ano sejam aprovados a 100%. Repudia-me que se fale constantemente do insucesso escolar, sem se pensar no que podem passar os bons alunos, caindo no risco de estes ficarem desmotivados e sem vontade de continuar o seu caminho. Não encaixo também a inexistência de um ensino versátil, de temáticas mais abrangentes, possibilitando uma abrangência de conhecimentos maior aos cidadãos e uma capacidade de adapatação mais efectiva.
 
Não acredito numa economia que cresce 0,5 a 1% ao ano. Com potencialidades únicas ao nível das matérias-primas das energias renováveis, gostava de ver um plano de acção concreto e ambicioso, que apostasse também nas potencialidades do mar e da costa portuguesa. Com uma colocação geográfica interessante, gostava de ver Portugal aproximar-se do eixo nórdico na sua mentalidade, na sua abordagem, nos seus resultados. Gostava que fosse uma ponte efectiva com África e com as Américas, aproveitando-se a riqueza história e as potencialidades da língua. Se tal for necessário, porque não recorrer à internacionalização dos cargos públicos? Não será uma visão neutra e “descamisolada” uma forte ajuda para a nossa instabilidade?
 
O que viram atrás são desabafos de quem gostava de viver num país melhor, mais justo e equilibrado. De quem entende que um sistema só pode rolar se existir uma clara definição de prioridades. Porque entendo que o problema já não é político mas sim de bom senso. E porque acredito que, ao contrário do que muito dizem, este país tem potencialidades únicas! Falta é fazer o “click” e realmente pensar...

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publicado por Gil Nunes às 16:05
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