Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
José Sócrates: O "Nuno Gomes" da política

 

Vi ontem a entrevista de José Sócrates e sinceramente não fiquei muito surpreendido. O seu discurso vem de encontro à ideia inicial que do Primeiro-Ministro tenho, apenas servindo para reforçar o meu raciocínio.

 

Digamos que o considero uma espécie de “Nuno Gomes” da política. E, para já, refiro-me aos pontos bons, essencialmente dois. Penso que José Sócrates opta de forma muito acertada em fazer uma aposta clara nas potencialidades energéticas do país, tendo também uma visão equilibrada ao nível do aproveitamento dos recursos hídricos e eólicos. Vem de encontro, na minha óptica, ao bom trabalho desempenhado enquanto Ministro do Ambiente. Nesse aspecto, a visão estratégica imediata e duradoura é adequada. Do mesmo modo, e num segundo ponto, não o acho um indivíduo inconsciente ou leviano. Acredito piamente que ele esteja de facto a tentar fazer o melhor que pode em prol do país.

 

Apesar dos pontos positivos, nunca votaria em José Sócrates. Para já a aposta no investimento público ao desbarato parece-me absolutamente insensata. Na minha opinião, nesta altura do campeonato o investimento apenas deve ser feito em áreas cujo custo/benefício esteja devidamente comprovado em termos de multiplicidade. Depois, o controlo das finanças públicas não está devidamente assegurado, como se pode ver na dívida externa galopante que o país possui. Não é admissível que cada português deva, em termos indirectos, 15 mil euros ao estrangeiro. O que também não é compreensível é o facto de se dizer que o Magalhães é filho do progresso tecnológico, quando no fundo se trata de um computador de linha branca montado em Portugal.


Todavia, devo dizer que José Sócrates não é o principal culpado pelo cenário que hoje temos em Portugal. O grande responsável pela situação a que chegamos dá pelo nome de António Guterres, que no seu tempo promoveu uma mentalidade de gasto acima das possibilidades originando o endividamento das famílias, a instabilidade das empresas e a falta de perspectivas de futuro. Sou daqueles que defende que António Guterres devia ser mesmo responsabilizado por aquilo que fez.

 

Pegando na achega da questão dos fundos comunitários ao nível da agricultura, que Portugal não aproveitou, acho que o Governo devia estimular a captação de investimento no estrangeiro no tecido empresarial de forma a se aligeirar a crise. Até que concordo que a prioridade máxima devam ser os depósitos nos bancos mas não é a injectar  que a solução se resolve a longo prazo.

 

Pior do que estes aspectos só mesmo a educação. O sistema de avaliação dos professores é um assunto supérfluo tomando em linha de conta o gravíssimo facilitismo que existe nas escolas. O nosso país continua a produzir estudantes incapazes e pouco competitivos com reflexos futuros catastróficos, oxalá me engane. Era sobre este ponto que José Sócrates se deveria efectivamente preocupar.


Depois, irritam-me profundamente as suas constantes afirmações “não adivinho”, “não faço futurologia” e “não sou vidente”. Além de demonstrar insegurança, denotam também uma falta de visão sobre o que deve ser o papel de um Primeiro-Ministro. Então não é ao Primeiro-Ministro que cabe prevenir e reflectir sobre eventuais planos de contingência nas suas múltiplas e hipotéticas vertentes? Já diz o adágio que “homem prevenido vale por dois”. Para mim, esta sua característica ilustra bem as suas limitações, num cenário que o impede de ser o líder que o país precisa. Um líder à semelhança de Nuno Gomes, face de um nacional porreirismo que não é capaz de se afirmar como um verdadeiro timoneiro que tanta falta faz!


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publicado por Gil Nunes às 11:21
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