Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
Escrever ao desafio

 

Gosto de escrever ao desafio. Para isso pego na primeira palavra que me ocorre e espalho-a no papel como um fio de novelo aberto por um gato. Porque as palavras são passaportes que nos levam a todos os destinos do mundo sem que tenhamos de recear perder o avião. Eu sou o aviador da minha própria mente, ou seria fisicamente se tivesse queda para os números.
 
Mas já dizia o Pessoa que Cristo foi quem foi e não percebia nada de finanças. Eu não quero ser profeta, pois gosto de saborear a minha mortalidade. Sei que essa maneira de pensar me dá forças para continuar e ultrapassar os obstáculos, pois eliminando a mesquinhez tenho a consciência da morte e, por conseguinte, da vida.
 
Viajo até à Grécia e lembro-me que os contrários nunca se juntam. São as leis da Natureza e eu por elas tenho um respeito que não se esgota no canto mais remoto do planeta. Às vezes penso em tudo deixar e conhecer o mundo que ainda não conheci, ele que felizmente se torna em parcela mais reduzida. Porque acredito que a felicidade não se encontra em nenhum local senão em nós mesmos, visões individuais que temos de um universo que não sabemos se pertence a nós mesmos ou se o conseguimos apropriar convenientemente.
 
Olho para o mapa e gostava de criar novos países, cidades de encantar, povos imaginários. Penso que os crio nas profundezas da imaginação, um segredo que tento partilhar com os outros mas que nem sempre me dá popularidade. Todavia, não é de matéria que me realizo. Acredito no espírito e tenho fé que o xadrez do mundo, mesmo que eu reme em sentido contrário, se conjugue mediante a minha vontade.
 
Sento-me nesta sala vazia e relembro. Também não quero ser o Virgílio Ferreira, pois de introspectivo tenho apenas o suficiente e não o superlativo. Gostava de tocar nos Simpsons e de lhes dar vida, de os ver na noite do Porto e ninguém estranhar o seu amarelume. Ou de salvar todas as pneumonias do mundo. Porque, como diria Santo Agostinho, se não podes mudar o mundo pelo menos quando ele passar por ti dá-lhe um empurrãozinho!


publicado por Gil Nunes às 16:51
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1 comentário:
De Anónimo a 22 de Janeiro de 2009 às 21:13
Aprova lá este anormal careca!


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