Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
A questão da arbitragem

 

Arbitragem
 
Uma área incompleta
 
No fim-de-semana, fazendo zapping na tv em busca de um programa desportivo que captasse a minha atenção, aterrei na liga italiana, mais propriamente em Roma, para assistir ao Lázio-Cagliari. Os visitantes venceram sem qualquer margem para dúvida (4-1), com o jogo a ficar marcado por inúmeros erros de arbitragem em benefício dos locais: na memória ficaram os “off-sides” em catadupa, as duas grandes penalidades inventadas pelo árbitro (e desperdiçadas) e o leque interminável de faltas duvidosas a favor dos romanos.
 
Num momento em que se fala tão veementemente do estado da arbitragem em Portugal, penso que o exemplo deste jogo pode ser servir de introdução a uma reflexão mais profunda, começando por questões elementares que nos ajudam a preencher todo o enquadramento. De facto, para mim, um espectador longínquo, o jogo não teve uma boa arbitragem. Todavia, passando de relance pelos jornais italianos do dia seguinte, não deslumbrei nenhum artigo ou comentário excessivamente crítico em relação ao que se tinha passado. Quero com estes elementos chegar a um ponto essencial, com uma pergunta que me parece extremamente pertinente. Será que eu, colocado num ponto exterior à cena, consegui ver algo que os intervenientes locais deixaram passar em claro?
 
Lembro-me de um professor que tive na Universidade, cadeira de Relações Públicas, que me perguntou qual o tema em que eu mais depressa recusaria fazer um trabalho. “Carros”, disse eu, na sinceridade dos meus conhecimentos automobilísticos muito escassos. “Pois vai fazer um plano de comunicação do Circuito do Boavista. Como não tens qualquer relação emocional com o evento, verás que o teu trabalho ficará muito mais minucioso”, respondeu-me. Tirei 16 valores e não mais me esqueci daquela lição…e continuo a não apreciar o desporto automóvel!
 
Ao falarmos sobre a arbitragem nacional, é necessário termos em linha de raciocínio que, quer assim o pensemos ou não, também fazemos parte do fenómeno. Somos parte integrante do país, estamos inseridos no seu “caldo de cultura”, tendo as reacções típicas de um povo nas suas acepções mais ou menos positivas. Da mesma forma que não considero que sejamos todos iguais na forma como encaramos o fenómeno desportivo, também considero que a arbitragem negativa não escolhe geografia. Existe em Portugal, em Itália, em Inglaterra ou onde queiramos que a nossa imaginação nos leve, tal qual como noutras profissões.
 
Assim, considero descabida a ideia de colocarmos árbitros internacionais a dirigirem os jogos dos chamados “três grandes”. Até porque não sabemos, e recorrendo á psicologia e à célebre teoria da “Janela da Joady”, qual a forma como os outros nos vêem a nós. Deste modo considerava bem mais proveitosa a criação de uma auditoria externa que, de uma forma rigorosa, nos desse a conhecer as virtudes da arbitragem e as imperfeições dos “homens do apito”. Se, tal como diria o meu professor de Relações Públicas, a mesma fosse realizada por indivíduos ligados a outras áreas, poderíamos ter um resultado desprovido de componente emotiva, porventura a chave da solução que agora buscamos. Porque o futebol é um desporto pensado por homens errantes e incompletos…

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publicado por Gil Nunes às 16:10
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