Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
Uma das minhas melhores histórias

 

No dia 3 de Janeiro de 2003 tive um grave acidente de automóvel. Na saída da IC-23 ao lado da Padaria Abreu, hoje fechada, apanhei uma linha de água que levou o meu antigo Peugeot 206 ao desgoverno. O meu primeiro instinto, errado, foi de travagem. O carro acelerou de forma brusca e fui embater num Daewoo Matiz à minha frente. O “air-bag” não disparou e eu dei com a cabeça no volante. Mas o que me doíam mesmo eram as costas. A parte fixe do acidente é que ficou um cenário à “americana” com peças por tudo quanto era sítio, trânsito parado e várias pessoas a dar assistência. Quer eu quer a simpática senhora fomos levados ao hospital para fazer exames. Tive umas contusões mas nada de especial. A senhora também estava bem, ainda bem que foi só chapa. Mais que não seja, como diria o Sérgio Godinho, “hoje fiz um amigo e coisa mais preciosa no mundo não há”. Ainda hoje lhe mando uma mensagem a desejar um Feliz Natal.
Nesse mesmo dia, ao final da  tarde, o meu pai emprestou-me uma carrinha para eu circular enquanto o carro não se compunha. Mas no dia a seguir, 4 de Janeiro, nova tragédia. Ao ligar a ignição o capot começou a arder. Lembro-me de que o meu primeiro pensamento foi: “eu ontem fui instintivo e fiz merda. Portanto pensa Gil”. Com o carro a arder, vi um balde de limpeza ao meu lado. “Não, pode ter lixívia”, pensei. Depois de caminhar um pouco, saltei para o jardim de uma das moradias em frente e peguei num saco de terra. Despejei no capo, já aberto, e resolvi o problema. Depois chegaram os vizinhos, que se encarregaram de chamar o respectivo reboque. Nem me chateei mais com o assunto.
No dia seguinte, 5 de Janeiro, nova carrinha emprestada pela entidade paternal. Nessa madrugada, novo desastre: a carrinha foi assaltada, tendo a porta principal ficado toda danificada. Aqui não havia nada a fazer e até a minha família ficou à acreditar em bruxedos. Se querem que vos diga, no final, eu nem estava muito chateado. Ao ver a carrinha e a porta naquele estado, a única coisa que fiz foi regressar a casa e ficar na varanda por uns momentos. Ao fazer a retrospectiva da situação, comecei a rir-me que nem um perdido por duas razões: primeiro porque há sempre gente pior que nós e o meu problema era solucionável; depois porque a história até que era inédita, inacreditável e com traços pitorescos! Gastei foi uma pipa na reparação do 81-83-0E, entretanto vendido. Aí não me ri tanto.

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publicado por Gil Nunes às 16:13
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