Domingo, 6 de Novembro de 2005
Einstein dixit...
"O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma."

Albert Einstein


publicado por Gil Nunes às 01:06
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A simplicidade dos indivíduos
Acusam-me de ser demasiado frontal. De tantas vezes levar na cabeça comecei a matutar sobre o assunto e a chegar a algumas interrogações e a fazer algum estudo por minha própria iniciativa. Assim a frontalidade nos países nórdicos é vista como a resposta mais digna e sincera para qualquer questão. Por exemplo, quando perguntamos "queres vir tomar um copo" a resposta "não me apetece" é um acto de tremendo polimento e boa educação e é o caminho lógico para uma relação sadia. Nos países latinos, e concretamente em Portugal, isso não acontece do mesmo modo. A mesma pergunta teria como resposta quase certa "tenho cenas combinadas" ou "hoje não me dava muito jeito". Isto acontece porque temos a tendência de encarar a frontalidade como um acto de rudeza dado que no nosso jogo social é o caminho pré-definido, antagonicamente ao que acontece nos países nórdicos. Mas não é só neste exemplo que as coisas acontecem. Nas relações pessoais, por exemplo, o uso excessivo de meias-frases e de perguntas retóricas obrigam o receptor a procurar os melhores caminhos para uma resposta que só poderá ser uma. É um jogo, uma intriga, uma forma de se conhecerem os trilhos do conhecimento através de diálogos pseudo-inteligíveis. Não seria mais fácil se assim não acontecesse? Lembro-me do prof. Esteves Rei que tive o prazer de ter na Faculdade, na cadeira de Gramática. Citava com frequência a sua experiência como professor na Suiça em que tivera um aluno espanhol que não me lembro o nome mas que por frontal gentileza lhe vou chamar "Panchito". Ora, o tal Panchito disse uma vez algo de tão simples, mas do mesmo modo tão genial e tão delicioso a propósito da mensagem subreptícia de um texto literário. "Si el escritor quieria dicir esto, porque no lo dice????". É este testemunho que falo! O sentimento humano muitas vezes baseado na inveja e no desejo de sobressaírmos perante os outros faz com que enveredemos por uma indesmentível guerra de conhecimentos. Um "toma lá da cá" obrigatório que faz com que nos sintamos cada vez mais distantes uns dos outros. Sim, porque na minha opinião, ninguém é verdadeiramente próximo de ninguém. O sentimento, como máximo esplendor da racionalidade segundo dizem os especialistas, reflecte-se na aura dos cinco sentidos(ferramenta básica e verosímel de comunicação) e não nas palavras. Vêem-se nos actos e não nos discursos. De que vale o abraço a um amigo quando temos a oportunidade de sermos solidários com o desconhecido e pura e simplesmente ignoramos? Porque aqui reside o busílis da amizade, da solidariedade e do companheirismo e do amor na sua mais real essência, ou seja, dar tanto de nós aos próximos como aos desconhecidos porque o sentimento não escolhe proximidade.


publicado por Gil Nunes às 00:44
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