Quarta-feira, 6 de Setembro de 2006
Duas situações
Passei alguns dias de férias numa sui-generis Quinta em Freixeiro de Soutelo, no Alto Minho. Numa dessas noites fomos até Vila Nova de Cerveira tomar um copo numa pitoresca tasca. A servir-nos, uma velha senhora que transbordava aflição no seu olhar. Com um riso disfarçado e com piadas coladas no seu cérebro para nos incentivar a beber, a dona da tasca era uma personagem única. Fitei-a com toda a atenção durante o tempo que lá estive, juntamente com alguns amigos. É impressionante, na minha opinião, a forma como algumas pessoas conseguem mascarar a sua tristeza num pseudo-sorriso terno e numa constante panóplia de piadas batidas de modo a ganhar a vida. E impressionante era também o facto das pessoas que estavam no estabelecimento pouco se importarem com isso, nem se aperceberem. Sem uma palavra de simpatia, sem um sorriso, mas apenas com a ânsia desenfreada de se divertirem num universo egoísta em que o altruísmo não acendeu a luz para avisar que aquela dona de bar estava em grande sofrimento. Está e estará, sempre, todos os dias!
A minha reacção? Foi muito ténue mas ainda assim tentei que ela ficasse cravada na sua memória. Com o máximo de educação pedi-lhe uma cerveja, agradecendo todo e qualquer movimento por ela realizado. Tratei-a como se estivesse a receber o cheque do Euromilhões. Espero que pelo menos, nos dias posteriores, a mesma mulher se lembre que alguém simpático por lá passou e que, nem por um bocadinho, mudou o seu quotidiano.



Mal cheguei de férias, fui fazer uma reportagem do concerto de Tiago Castro, o “Crómio” dos Morangos com Açúcar. À entrada deparei-me com uma miúda que guardava lugar na entrada, como se fosse um adepto do F.C.Porto à espera do bilhete para a final da Taça Uefa. Olhei para os pais e fiquei satisfeito por ver o interesse deles, não pelo concerto em si mas sim pelo entusiasmo da filha(que me parecia filha única e muito “custada”) no tema em si, se é que me consigo explicar. Fiquei satisfeito por ver que ainda há pessoas neste mundo que se entusiasmam por uma causa, por mais banal que ela seja.
Assim sendo após o concerto fiz tudo para furar o protocolo. Mesmo sabendo que devia dar estrilho, consegui convencer o manager da necessidade que a referida criança tinha em conviver com o Crómio nos camarins. Sabia que aqueles minutos seriam por certo os mais felizes da vida dela. Felizmente consegui e, apesar de não ter dormido nada(tinha vindo naquele dia do Algarve) dei o meu tempo por bem empregue.


publicado por Gil Nunes às 16:15
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