Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008
As respostas

Há determinadas respostas que me deixam extremamente incomodado. Se pensam que me estou a referir a alguma tirada rude estão muito enganados. Às vezes quando as pessoas são extremamente simpáticas conseguem, ser dar conta disso, ser bastante incomodativas. Sim, sou um aficcionado da sinceridade e da frontalidade. Abaixo os clichés e os determinismos sociais que fazem que o nosso pensamento fique telecomandado.

 

Não sou adepto de palmadinhas nas costas, nem sou daqueles que dá apoio ao outro quando entendo que, pelo contrário, essa pessoa deve ser puxada e estimulada a reagir.Sou adepto da solução e não do conforto. Se esta medida me tem valido alguma incompreensão ao longo dos tempos, vale-me a consciência de o ter feito em auxílio verdadeiro. Chamem-me distante, frio, o que quiserem!

 

Seja como for, voltando às respostas, quero deixar aqui três exemplos que me desagradam:

 

"Fazes bem"

É o tipo de resposta que caracteriza o despachanço, mostrando saturação e desinteresse em relação ao que o emissor está a dizer. Usa-se também quando o que o emissor diz não tem o mínimo interesse para o receptor. Pode ser geralmente acompanhado com um sorriso hipócrita.

 

"Vai correr tudo bem"

Ninguém diz "vai correr tudo mal". Esta versão coloca no receptor um sentimento de dúvida e uma falta de solução em relação ao problema. Esta tentativa de criar optimismo e confiança mais não é que um drible na realidade. Depois, quando nada corre bem, vai-se continuar a utilizar a frase. Um engodo!

 

"Coitadinho"

Ao termos um trabalho, uma vida saudável, amigos e alguns problemas mais não somos que uns privilegiados. Chamar coitadinho revela insensibilidade e diminuição. Enganem-se aqueles que pensam que este termo pode ser carinhoso. Pelo contrário, pode incutir no receptor uma desencaixada vontade de reagir

 

 



publicado por Gil Nunes às 12:28
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
Músicas descontextualizadas

Há determinados temas que, ao ouvi-los, não os revejo com as imagens ou ideologias a que estão associadas. Comparando com o cinema, em que também existe uma imagem concebida e entregue ao espectador, penso que ao nível musical existe mais encanto. Mais curto, com um significado mais forte em poucos segundos, existem temas que nos levam para outras paragens mesmo sem sabermos.

Acredito que já vos tenha acontecido, por certo, ler um livro e depois o filme pouco ter a ver com aquilo que imaginaram. Se a mensagem pode criar diferentes silhuetas de imagem, o que dizer quando tal não corresponde minimamente a determinadas ideias pré-concebidas que julgamos a imagem ir corresponder.

Acontece-me em dois exemplos. Na "Carvalhesa", associada ao Partido Comunista, cujo som me remete para as marchas das procissões, com pouca ligação para o contexto político. Na "Unfinished Sympathy", dos Massive Attack, desperta-me o ambiente da praia e do mar, bem como toda a sua envolvência.

 

http://www.youtube.com/watch?v=y1svI-owtWA



publicado por Gil Nunes às 17:15
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Sábado, 26 de Janeiro de 2008
Kavorka

Em português chamam-lhe carisma, em inglês o "modjo" mas eu prefiro a versão eslava do termo: o kavorka. Refiro-me à capacidade que alguns indivíduos possuem, de modo inato, de desequilibrarem as situações a seu favor nos momentos de maior aperto. São situaçoes que não são ensinadas e que recorrem às armas da criatividade, improvisadoras do caminho de saída.

Lembro-me dos quartos de final da Taça Uefa 2002/2003, que o F.C.Porto viria a conquistar. Frente ao Panathinaikos, e após perder por 1-0 em casa, o técnico José Mourinho virou-se para os adeptos e com um simple gesto pediu calma. Logo aí se geraram palmas e, mais importante que isso, um sentimento de confiança generalizado em toda a cidade, carburador da vitória 15 dias depois em Atenas.

Este exemplo demonstra o sentido da "kavorka", característica que pode distinguir a minúcia e a organização do trabalho dos bons com a somente organização dos excelentes. Se o trabalho nos dá a base para nos fixarmos e respondermos às exigências do quotidiano, a "kavorka "aparece como ponto de desequílibrio ou, no outro prato da balança, como oxigénio no caos.


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publicado por Gil Nunes às 19:52
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
Novo aeroporto- é mesmo uma necessidade?

Muito se tem falado e discutido relativamente ao novo aeroporto. Já nem me refiro àquilo que se tem dito relativamente à sua eventual localização dado que para mim a discussão se esgota a partir do momento em que tomamos em linha de conta que ele é estritamente necessário, o que na minha perspectiva está errado.

 

Em toda a Europa tem crescido, de forma significativo, um segmento de mercado extremamente apetecível aos consumidores. Os voos "low cost" são já uma rotina para alguns europeus, que deixando de lado alguns "mimos" de viagem preferindo economizar. Ora, por essa Europa fora, podemos encontrar exemplos de aeroportos que, estando situados na periferia, conseguem obter um grande fluxo de voos. Falo, pois, de Stansted(Londres), Hahn(Frankurt) ou Torp(Oslo). Três exemplos que são demonstrativos das práticas políticas e das filosofias de racionalização de investimentos de países do pelotão da frente da União Europa.

 

Em Portugal, ao invés, pensamos em construir um novo aeroporto por si só, não distinguindo as questões relacionadas com o tipo de voo. Seguindo este ponto de vista não seria bem mais económico e vantajoso investir na remodelação de bases aéreas, que em todo o país existem de forma mais ou menos regular, e para lá canalizar todo o fluxo low cost? Do mesmo modo, o quadro financeiro daí proveniente, somado a eventuais parcerias público-privadas, poderia originar uma melhoria da rede de acessibilidades, beneficiando não só os viajantes como todo o sistema de transportes.

 

Com estas infra-estruturas estariam construídos os alicerces para, a longo-prazo, toda a área que distasse entre a periferia e a metrópole poder ser consolidada e incrementada em termos de desenvolvimento. Seria, por certo, um travão ao êxodo rural e um estímulo para que o país ficasse mais homogéneo na sua relação entre "urbe" e "não-urbe"


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publicado por Gil Nunes às 21:44
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Atelier de Escrita- Recriação da nossa morte

Hoje, no Atelier de Escrita orientado pelo Mário Cláudio, foi solicitada a realização de um texto que recriasse a nossa morte. Aqui fica a minha contribuição:

 

"Tenho 110 anos e mantenho a esperança de ser o primeiro homem a descobrir a imortalidade. Se Colombo descobriu a América porque não ser eu o primeiro a beber do cálice azul?

Enfim, acho que se a morte não existisse, os homens já a teriam inventado. Eu nasci para desflorar florestas virgens, para liquidar axiomas da física e da química.

No ginásio, em frente ao espelho, continuo a pedalar como se estivesse a subir os Alpes. Os meus músculos tonificados pedem uma cervejinha fresca após o exercício. O meu neto, ao fundo, continua a fugir à matemática das flexões. Pobre malandro!

Foi um splash! Um escorrega, um salto, uma queda de moto. Tão repentina a aguda dor no meu peito que nem tempo tive de lá colocar a mão. Morri com o sangue a fervilhar-me as veias, com o meu chapéu de cowboy.

Morreu o homem que sempre foi menino"

 

 

 



publicado por Gil Nunes às 01:11
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
A importância de não se ter problemas

Ser rico,  bem sucedido profissionalmente ou com enormes ambições. Em todo um processo de vida, em que o factor tempo se torna essencial, é para mim pertinente discutir qual o melhor rumo que dar a cada dia. Se a medida "Carpe Diem" ou de vivermos todos os dias como se fossem o último me podem parecer extremistas, entendo que nos devemos guiar por um aproveitamento dos factores de felicidade, colocando assim o essencial em detrimento do acessório e obtendo, por conseguinte, o rejuvenescimento.

É certo que todas as idades têm o seu encanto, é uma verdade do senso comum. Mas a ciência não mente quando evidencia que o nosso corpo vai dando sinais de limitaçâo à medida da passagem dos tempos, num ser humano que não é eterno.

Sendo optimista, entendo que devemos aceitar este propósito de existência com tranquilidade. Porém, sorridentes mas com os olhos assentes na felicidade. Que interessa remar com vigor num sentido quiça ambicioso se o desgaste nos retira dias, meses ou anos de vida em prol de outras actividades necessárias à nossa felicidade. Entendo que a não existência, ou limitação extrema, de questões problemáticas são o principal factor que nos faz galgar rumo à felicidade. Indo mais longe, posso até dizer que tudo será secundário em função desse objectivo. Porque ninguém vive para sempre!


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publicado por Gil Nunes às 17:20
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008
Eu não gosto de filmes de cowboys

Dizem que a coca-cola “é a água suja do capitalismo”. Eu até gosto da bebida e não me importo nada de a ver classificada como uma das chancelas do poderio norte-americano das últimas décadas. Num “melting pot” de características, os multifacetados Estados Unidos da América apresentam no entanto estereótipos ao mundo que a mim não  despertam o mínimo interesse.

 

Falo em concreto dos “cowboys” e de todo o cenário do “far-west”. Se já por mim não sou grande adepto da violência, devo acrescentar que o ambiente de saloon, de rodeos e de pistoleiros mais não me dá que uma grande vontade de mudar de canal. Em comparação com os cowboys temos também, latinamente falando, as touradas, celebração que o meu orgulho lusitano também não aplaude.

A imagem mais primária que me surge de um “cowboy” é de um tipo vestido de forma bizarra com uma espécie de cigarro estiloso na boca. Com pistolas no coldre, é a sua própria negação ao tentar caçar vacas com uma corda. Bêbados nos aios, comem bifes e falam de violência barata e sem motivo.

 

Filmes como “Last Man Standing”, “Brokeback Mountain”, os clássicos de John Wayne. A criação de personagens como Calamity Jane, Buffalo Bill, Jesse James ou Lucky Luke. Elementos arrumados na prateleira mais bafiosa do meu pensamento. Digamos que se o meu cérebro fosse um computador estes elementos seriam movidos rapidamente para a reciclagem.


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publicado por Gil Nunes às 12:31
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
Sporting: a questão Liedson. Será que resolve?

 Liedson resolve. É uma verdade que o avançado brasileiro já resolveu muitas partidas a favor dos leões, sendo um dos principais goleadores dos últimos anos. Contudo, apesar do seu rendimento, os leões nunca conseguiram um título nacional com o “levezinho” no plantel.

 

Jogando em 4-4-2 losango, a estratégia do Sporting assenta nas características do seu “31”. Temos outros exemplos bem presentes como foi o caso de Henry no Arsenal, na época transacta, e com Cristiano Ronaldo no Manchester United, que cambiou o seu sistema para um 4-3-3 dependente dos médios-ala.

 

Se construir uma equipa tomando como principal pilar um fora de série já me parece discutível dadas as características oscilantes intrínsecas a todo o ser humano, ainda me parece mais pertinente construir um todo tendo como base um bom jogador.

 

Gosto de Liedson, é um facto. É rápido, astuto, frio na finalização e com um jogo de cabeça raríssimo para alguém com a estatura. Mas não o acho “craque” o suficiente para condicionar o estilo de uma equipa. Ao longo dos anos que esteve em Portugal, nunca nenhum outro avançado conseguiu consigo fazer dupla, o que para já condiciona o rendimento no campo ofensivo. Adaptado ao modelo 4-4-2, nunca vi Liedson encaixar num modelo com alas, nem ele tão próprio conseguir ter uma versatilidade táctica, como acontece por exemplo com Lisandro no F.C.Porto. Bom finalizador, nunca foi um goleador com “killer instinct”, vencendo o prémio de melhor marcador do campeonato português de forma evidente. Fora dos relvados, e em face dos casos disciplinares que já teve, o seu comportamento não parece ser de todo exemplar

 

Com inegáveis qualidades a nível de formação, com uma boa equipa em termos de valores individuais, a grande questão da crise leonina reside, na minha opinião, em tomar como princípio prévio a indispensabilidade de Liedson no plantel. Será que Purovic também não resolve?


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publicado por Gil Nunes às 16:54
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008
O Marcelo Rebelo de Sousa do engate

Aproveitando que hoje é domingo e temos o privilégio de assistir, em horário nobre, a mais um programa "As Escolhas de Marcelo", acho de todo conveniente debruçar-me um pouco sobre a sua técnica argumentativa, adaptando-a ao nosso dia-a-dia, mais precisamente aos processos de sedução.

Para que me possa explicar melhor devo dizer, em nota introdutória, que considero Marcelo Rebelo de Sousa um bom analista, sendo este concomitantemente o seu principal trunfo e handicap. Se analisar é um exercício que conjuga perspicácia e trabalho, solucionar os problemas daí provenientes requere uma segunda fase que no senso comum se traduz, muito simplesmente, em passar da teoria à prática.

Observando o comportamento de alguns homens no seu processo de sedução para com o sexo oposto, tenho nos últimos tempos constatado a evolução de uma técnica que baptizo os seus executantes de "Marcelo Rebelo de Sousa" do engate pois tal como ele também o seu discurso desagua na eficácia e na ruptura.  São, a meu ver, frases de análise da pessoa e do meio que destapam a causa de alguns problemas e que por si só representam lufadas de ar fresco para quem as recebe. Em seguida apresento dois exemplos de frases do Marcelo original traduzidas para o universo "Marcelo Rebelo de Sousa do engate".

 

1- "Com a subida da Taxa Euribor, os empréstimos ficarão mais complicados e as famílias poderão ressentir-se rapidamente na subida dos preços de bens essenciais."

Tradução: "Num relacionamento a dois, as partes têm de ceder em alguns aspectos caso contrário entramos em ruptura"

2- "A OPA de Joe Berardo foi estratégica e previamente delineada"

Tradução: "As pessoas quando se envolvem sentem que o outro pode colmatar algumas das nossas necessidades"

 

Usar o óbvio como arma, debulhá-lo até á última raiz e assim apresenta-lo como arma de convencimento, de captação de audiências. Tal na vida como nos estúdios de televisão, quando os propósitos justificam a utilização dos meios e da filosofia de que, realmente, é bem mais proveitoso parecer do que ser, sobretudo num país onde é mais lucrativo ser esperto do que inteligente.

 

 

 

 



publicado por Gil Nunes às 16:28
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Sábado, 19 de Janeiro de 2008
A versão verbal das coisas

Nem tudo é aquilo que parece. Já repararam que nos cinco sentidos do ser humano não está contemplada a fala? Contudo, é através da fala que na maior parte das vezes comunicamos. Assim mostramos aquilo que pensamos, o que sentimos, damo-nos a conhecer...

A fala exige um trabalho prévio. Se muitos de nós podem ser espontâneos e dizer a primeira imagem que lhe chega à mente, outros porém preferem fazer despoletar um clique que os oriente dentro dos trâmites da sociedade e das suas regras.

Se os cinco sentidos pouco espaço dão a erro(se bem que este conceito possa ser contestado), na fala tudo pode ser manipulável. Assim jogamos as nossas cartas verbais em função do benefício, defesa pessoal, capacidade de risco e de brilho dentro de um aglomerado.

Por isso, tendo como espelho o homem-jogador, por vezes dou comigo a fazer avaliações daquilo que se transmite e dos seus propósitos. Sempre numa tentativa de fortalecimento, o outro envereda por tomadas de posição em que procura não ser confrontado posteriormente. O erro, que vem sempre à tona, é colocado numa posição de longo-prazo.

Se pensamos no conceito de jogo, pensamos também no conceito de necessidade. Como jogador, o homem deita as suas cartas com o intuito de suprir as suas necessidades, os seus ponto débeis. Penso que este ponto se traduz de forma mais vincada nos relacionamentos íntimos(onde a palavra estatuto também é determinante) e nos sociais, se bem que aqui mais assente no processo natural de grupo a que o homem é por natureza conduzido.

 



publicado por Gil Nunes às 15:22
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