Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
A lição de Van Gogh

Para Van Gogh "uma obra de arte tem de ser visto de perto e de longe". Eu concordo com o holandês e extendo mesmo a análise em relaçâo a tudo o resto.

Já experimentam olhar fixamente para um objectivo a uma distância muito curta? Por certo que pouco ficam a conhecer sobre ele...ou tentar ver os "Condenados de Shawshank" com o ecrã colado ao queixo?

Alargando o raciocínio em relação ás pessoas, acho que nem sempre uma visão muito próxima consegue trazer o verdadeiro reflexo daquilo que elas são na realidade. Se a vertente emocional pode deturpar a análise, penso que um ponto de observação a meio termo consegue traduzir com relativo detalhe aquilo que realmente entusiasma ou assombra a mente do outro.

È na observação cuidada dos detalhes que ficamos a saber com quem lidar, nos pontos fortes e débeis. Porque em certas altura "um pormenor vale mais que mil palavras"

 


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publicado por Gil Nunes às 17:26
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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
A final de Wimbledon 1992 e o Cristiano Ronaldo das raquetes

Final do Torneio de Wimbledon, 1992, um dos melhores jogos de ténis que tive oportunidade de assistir. O renascido André Agassi, ainda com os seus cabelos ao vento, a defrontar o bombardeiro croata Goran Ivanisevic.

Com onze anos, assisti à partida ao lado de um primo meu que me entusiasmou para a magia da modalidade, explicando-me que ao contrário do futebol, o ténis não era um negócio. O argumento não resultou em cheio mas, todavia, serviu pelo menos para prestar plena atenção à modalidade, eu que na altura apenas conhecia nomes como Boris Becker, Michael Stich, Jim Courier ou Ivan Lendl.

Naquela tarde soalheira, começou melhor o croata, mostrando que o ténis afinal pode ser bastante prático. Com um serviço fortíssimo ou com jogadas implacavelmente ripostadas, o croata tomou a dianteira da partida.

O norte-americano, com uma persistência e tenacidade incrível, encontrou na partida segredos por desvendar, que lhe deram a vitória final. Na sua luta entre contraria a força contrária e dominar a partida através da sua técnica, André Agassi acabaria por vencer por 3-2, sendo este o ponto de nova partida para um novo estímulo na sua carreira.

Desde esse dia, sobretudo na década de 90, acompanhei o ténis com alguma atenção: Despertaram-me curiosidade nomes como Richard Krajicek, Pete Sampras, Cedric Pioline ou Tim Henman. No entanto, nenhum outro me cativou tanto como Marcelo Rios. O chileno foi, na minha perspectiva, um dos principais desperdícios do desporto, não indo de encontro ao seu espantoso potencial. Serviço poderoso, técnica, velocidade, criatividade num verdadeiro Cristiano Ronaldo de raquete na mão. Um desleixo imperceptível e várias polémicas nunca lhe conferiram um verdadeiro estatuto de lenda. No entanto, os seus recortes de génio ficam na memória de todos os apreciadores de ténis.


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publicado por Gil Nunes às 12:31
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
Hibernação de Gustavinho
Depois de “Revalutzia” e “Yawp” tão cedo não se assistirão a aparições do Gustavinho. Eu sei que pareço o cromo do primo Pedrinho quando está a fazer uma birra, mas quero provar que sou capaz de me multifacetar, criando outro tipo de enredos e de personagens. Aliás, a elaboração de “Yawp” respondeu ao pedido de várias famílias que me pediram uma nova aventura do Gustavinho. Seja feita a vossa vontade e a partir do próximo sábado espero que desfrutem! O conto foi construído tendo como fonte experiências pessoais que foram adulteradas e exageradas e com personagens que conheci ao longo dos tempos, que se encaixaram na fantasia, depois de nunca se terem conhecido na realidade. Relativamente à personagem, que um dia ressuscitará com novas histórias, posso dizer que se ela fosse uma sociedade anónima eu seria dono de 51% da sua essência. Os restantes seriam divididos pela minha fantasia e pelas características de alguns que me rodeiam e que me fascinam. Acrescento também que ambos os contos foram escritos em duas tardes, aproveitando os feriados.


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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
Prevenção- A criança como árbitro

Já diz o povo que "mais vale prevenir que remediar". No entanto, vivendo no país do desenrasca, nem sempre o adágio se transforma em realidade linear, fruto também da própria natureza do ser humano.

Há que mudar mentalidades, evoluia-las de modo a sermos mais justos. Não queremos viver no país do livre arbítrio e do bitaite, mas sim da conscenciosa troca de ideias entre homens inteligentes. Para isso há que apostar na educação e na cultura, esperando que se possam colher frutos dentro de alguns anos.

Com esta filosofia bem presente, a aposta nas estratégias de prevenção ganha especial importância. Com a criança como "árbitro" de todo o comportamento irregular do núcleo familiar, torna-se mais fácil que os acidentes não ocorram no futuro, gerando-se assim lucros sociais extremamente vantajosos.

No ambiente, na segurança, no simples comportamento recorrente da presença na escola, torna-se fulcral desenvolver mentes que sejam elas próprias ajuizadoras do seu comportamento e do outrém. Representará um desenvolvimento e uma potenciação em relação ao que vemos agora, onde o livre comentário ainda é tido como válido.


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publicado por Gil Nunes às 17:24
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Política- a palavra carnavalesca

É uma espécie de passaporte para o planeta da tranquilidade, um carimbo que tudo faz esquecer o que antecedeu. De facto, você é um trauliteiro. Perdão, um trauliteiro político! E de repente tudo faz sentido, estamos apenas politicamente falando!

Lembro-me uma vez, trabalhava ainda no Jornal Comércio de Gaia, que acompanhei uma visita de uma delegação de um partido político a um jardim. O Presidente da Junta dessa freguesia acumulava o cargo com o de administrador de uma empresa municipal. A páginas tantas, no meio da conversa, o responsável desse partido sai-se com esta:

 

- “Esse senhor prostituiu-se!”

 

De pé, no cimo daquelas escadas, fiquei estático com o meu bloco na mão. Naquela pequena pausa, pensei que forma poderia escrever o artigo sem nunca mencionar tais palavras, pois assim ordenava o meu bom senso.

 

- “Politicamente”, disse ele. “È preciso contextualizar porque eu até não tenho nada contra ele”, finalizou.

 

É claro que na referida peça escrevi que “o Presidente da Junta acumulou o cargo com um vencimento chorudo numa empresa municipal”. E até, no auge do meu bom senso, não calculei que a peça originasse tanta polémica!

 

A partir do momento que acrescentamos a palavra “política”, ou uma das suas derivadas, a uma frase, tudo se torna carnavalesco. Ninguém leva a mal e porque poderia faze-lo? A partir do momento em que dizemos que algo é apenas “político” toda a vida se compra enquanto um sargo assa no braseiro!

 

Se na maior parte dos casos até considero este facto algo pitoresco, outras vezes há que considero profundamente lamentável. Acho de uma grave insensibilidade trocar acusações utilizando a expressão “autismo político”. Revela, na minha perspectiva, um tocante desrespeito com uma terrível e incurável doença, que infelizmente provoca a desintegração em algumas famílias. Absolutamente intolerável!


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publicado por Gil Nunes às 17:46
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
Sjoberg e Lagerkvist- Literatura da Escandinávia

Juntar o útil ao agradável. A frase é indiscutivelmente batida mas reflecte o hábito de descobrir grandes artistas que não sejam conhecidos da maioria das pessoas. Na literatura descobri em Cuba José Marti, poeta que reflecte a identidade do seu povo em todos os meandros dos seus versos. Em Israel Amos Oz, um humanista e universalista, que mostra que os valores da paz são muitos superiores aos de qualquer fronteira. No Egipto, Naguib Mahfouz e, se assim lhe podemos chamar, a sua noção arábico-telúrico. Em França o filósofo das ideias proletárias e do sentimento romântico para além da vida, André Gorz.

E, da Suécia, dois nomes: Birger Sjoberg e Par Lagerkvist. O primeiro, para além de ser um magnífico poeta, distinguiu-se também na música. A sua obra "Pensamentos" mostra a amplitude de uma mente aberta e expansiva a todo o ser, levando-me a reflectir sobre a ânsia dos poetas, a universalidade. Penso que isso fica explicito em  "E nunca o tormento acha um céu e nunca o desejo acha uma terra. É por isso que a poesia existe " a sua frase mais conhecida e citada.

Par Lagerkvist, Prémio Nobel em 1951, deu a conhecer, entre muitas obras, o seu "Anão". Reflectindo a visão de uma personagem extremamente referenciada da idade média, o autor reflecte a fragilidade dos homens em contraponto com a lucidez do anão, sendo um importante contributo, mesmo contemporâneo, para a batalha quotidiana que nos pequenos gestos travamos contra a discriminação.



publicado por Gil Nunes às 13:59
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2008
Chris Botti

E tudo começou num belo dia em que eu, o Carlos Duarte, o Rui Almeida e o António Silva decidimos ir até à Fnac almoçar. Enquanto eles se divertiam em mais uma discussão sobre os mais recentes fenómenos de gadgets, parti em busca de outros pontos de interesse naquela loja que, convenhamos, é extremamente multifacetada.

No cantinho dedicado à música, um som extremamente agradável despertou a minha atenção. Sim, eu gosto de jazz, e não por várias vezes fui ao BFlat. Mas não conhecia Chris Botti. Com um trompete extremamente interligado com a sua banda, Botti dá a conhecer em "Night Sessions" um estilo ameno e tranquilo, numa música com um percurso que foge ao grande perigo da música de jazz, que na minha opinião ocorre quando se transforma em "Lawrence WelK", música de elevador.

É um dos cds que levo no carro e que ouço com frequência. Que bem que sabe desfrutar das Night Sessions enquanto conduzo com tranquilidade na marginal de Gaia em direcção ao trabalho, numa daquelas manhãs soalheiras que nos fazem sentir especiais!

 

http://www.youtube.com/watch?v=CZ1du2810eo&feature=related


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publicado por Gil Nunes às 02:25
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008
Futebol e desenvolvimento

Robbie Earl e Warren Barton, ex-jogadores da Premier League, deslocaram-se à Índia para realizarem acções de formação relacionadas com o treino de futebol. Depois de terminadas as suas carreiras, os dois futebolistas são quadros remunerados da formação inglesa, viajando pelas ex-colónias britânicas com o intuito de desenvolver os atributos dos treinadores dos países que visitam.

 

Na Índia, Earl e Barton ficaram surpreendidos com a qualificação dos técnicos, pecando apenas na transposição para a parte prática. Entusiasmados, ambos já garantiram um regresso àquele país dentro de alguns meses, isto depois de terem deixado um "homework" aos seus alunos, que trabalham sobretudo com as camadas mais jovens.

 

Conhecido que é o desenvolvimento abrupto das potências asiáticas, aplaudo esta iniciativa que pretende catapultar o desporto e a cidadania nestes países. Se a curto-prazo os benefícios podem ficar confinados ao lucro social, podemos também pensar mais alargadamente no tempo, criando bases para novos praticantes inseridos num modelo mais competitivo, tentando que o futebol acompanhe o desenvolvimento sócio-económico dos países. Num cenário ainda mais longínquo, poderíamos pensar em competição que não tivessem como epicentro única e exclusivamente a Europa.

 

Se bem que a liga portuguesa não tenha a visibilidade da inglesa, penso que também seria inteligente colocar alguns jogadores já retirados ao serviço da causa de formação nas ex-colónias, preparando-as para uma melhor abordagem do jogo e, consequentemente, desviando os jovens de caminhos menos lícitos. Já tive oportunidade de visitar algumas ex-colónias portuguesas e devo dizer que algo que me surpreendeu foi a sua ligação com o campeonato português. Neste cenário, um duplo benefício. Regresso à ribalta de razoáveis jogadores que se poderiam sentir desgastados com o tempo e benefício e aparecimento de novos treinadores em África com métodos de treino mais adequados à lapidação de talentos.

 

 

 


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publicado por Gil Nunes às 20:46
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
Excerto de Revalutzia

Já publicado, mostro-vos um pequeno excerto do meu conto "Revalutzia"

"Eu estava revoltado, fervia por dentro! E aquele sorriso do Padre Tomé, com aqueles braços longos estendidos ao longo do corpo, mais me davam vontade de fazer algo! Eu era o Gustavinho Marques e tinha que ler a passagem, tal como o maricas do meu primo Pedrinho tinha feito há uns anos atrás. “Ainda acabo como aquele paneleiro a tocar saxofone no Conservatório”. Não! Eu não! Tal como o arquiduque Francisco Fernando tinha sido a causa próxima da  I Guerra Mundial, o meu primo Pedrinho era o motivo da minha revolta! Revalutzia!"



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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
Mladen Karoglan

Ao ver o Werder Bremen-Braga houve um jogador que constantemente me veio à memória: Mladen Karoglan. Na Taça Uefa 97/98, o Braga realizou uma exibição para esquecer no reduto dos holandeses, colocando praticamente em causa a eliminatória ao estar a perder perto do fim do jogo por 2-0. Quase no apito final, o Braga conquistou uma grande penalidade meio aos tropelões e o avançado sérvio, frio e decidido, não falhou! Foi um golo importante, que disfarçou uma exibição fraca, e que catapultou os arsenalistas para a recuperação quinze dias depois.

 

Novo jogo, novo penalty e Karoglan voltou a não falhar, colocando o Braga na próxima eliminatória. Os arsenalistas viriam a perder nos oitavos de final, quando o Schalke 04 de Olaf Thon desfez os sonhos do Bom Jesus!

 

Mladen Karoglan era um avançado móvel, desgastante para os defesas, que aliava o oportunismo a uma grande facilidade de remate. Em Portugal brilhou no Chaves e em Braga, apesar de nunca ter conseguido um nível europeu. E nos momentos decisivos, quer em livres que em grandes penalidades, era um jogador que nunca vacilava.

 

Várias foram as épocas em que se impôs na frente de ataque bracarense, marcando golos importantes na Liga Portuguesa. Vi o Werder Bremen.-Braga e lembrei-me do Karoglan. Porque ao contrário do Jorginho e do Linz, tenho a certeza que o Karoglan não teria falhado os castigos máximos!


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publicado por Gil Nunes às 17:32
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