Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Em democracia plena o marketing político não é preciso para nada

 

Há dias, durante um pequeno passeio na zona ribeirinha, dei-me a falar com algumas pessoas sobre a intervenção de que a rua Álvares Cabral (junto à Câmara Municipal) está a ser alvo, nomeadamente em relação ao projecto de pedonalização.
 
A pessoa com quem eu estava a falar, numa primeira instância, era a favor. “Achava bem, devia ficar bonito. Sou a favor”, dizia. Eu não quis estar a alongar a conversa até porque não era o meu objectivo. Tudo corria em tons de despedida quando subitamente surge um terceiro elemento à conversa.
 
“Mas olhe que para se ir para o Colégio agora vai ter de se dar uma volta muito maior. E além de que os cafés ficam prejudicados”. Não quero estar aqui a contestar, refutar, comentar, concordar com o argumento. Atónito fiquei quando a pessoa com quem estava a falar se vira e diz:
 
“Claro, tem toda a razão. É uma vergonha, é inadmissível. Sou totalmente contra”.
 
Em menos de 30 segundos, mudança de opinião radical. Sem sequer pensar, indo na onda de outrem, sem qualquer recurso às inúmeras potencialidades que o cérebro humano possui. Não sabendo virtudes, consequências, benefícios…nada!
 
Estendam este exemplo a todos os outros decorrentes do dia-a-dia. E multipliquem por milhares de pessoas. Com um pouco de abstracção podemos traçar todo um cenário que coloca em causa a legitimidade de acção dos partidos e das suas políticas.
 
E estas pessoas votam. Têm a imensa responsabilidade de escolherem os seus líderes, elegerem os seus representantes nas diversas formas de poder, de modo quase que aleatória. Depois, o resultado acaba por se tornar fruto da tômbola. Pessoas diferentes, com competências e formações distintas, cujos votos valem o mesmo que outros que não pensam nem têm a mínima consciência daquilo que estão a fazer.
 
É por aí, a meu ver, que surge o conceito de marketing político. De facto, se atentarmos bem na realidade, podemos ver que apenas 5% da população acompanha e entende o fenómeno político tendo depois, legitimamente, opiniões sadiamente divergentes. No entanto é a “restante” parcela de 95% que define os destinos dos governantes.
 
E eis que surge o marketing político. Vender um produto à comunidade, sensibilizando-a para um determinado ponto, como se estivéssemos num verdadeiro supermercado global. Não sou contra o marketing político, até porque compreendo o fenómeno e, acreditem, até que considero os políticos os menos culpados de toda a situação. Agora considero, na verdade, que numa sociedade altamente qualificada e plenamente democrática o marketing político não seria preciso para nada. Porque quando se pensa, logo se existe, já diz o Descartes…

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Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Respeito por TODOS os animais!

 

Ter respeito pelos animais é algo de muito bonito. Mas entendo que se deve ter respeito por todos os animais e não apenas por uma parte. Revoltam-me todos aqueles que, fingindo, se deleitam perante o ar afável de um cão sem respeitarem convenientemente todos os seres que habitam neste planeta. Toca a destruir o insecto à vassourada!
 
No outro dia fui até à varanda e vi um vizinho meu todo atarantado de mata-moscas em punho em pleno combate com um pequeno insecto. Bastaria abrir uma janela e o problema estaria resolvido, mas foi preferível descarregar as suas amarguras num pequeno bich. Se fosse um cãozinho, já se sabe: tão querido, fofinho e pequenino!
 
Para mim, as regras são simples: desde que não coloquem em causa o meu quotidiano, tudo bem! É claro que se tiver uma invasão de formigas em casa, sou o primeiro a dizimá-las. A Natureza deve ser adequada em meu próprio benefício, e aquilo que pode ser uma afirmação egoísta esbate-se nos olhos da razão.
 
Todos. Também sou afectado por intrusões de bichos em minha casa, como todo o ser humano. Agora a todo o custo evito matá-los. Entendo que é uma profunda falta de respeito pela vida e um atestado de desconhecimento perante algo que simplesmente veio ali parar, sem qualquer tipo de intenção, até porque não tem capacidades para pensar ou imaginar.
 
Assim, no caso de não os conseguir devolver à liberdade pela janela, uso uma pequena caixa que tenho em casa para depois os colocar em terra firme, no jardim do prédio sem qualquer possibilidade de me incomodarem mais. Agora acreditem que fico fulo quando reparo na insensibilidade das pessoas em aniquilarem, sem qualquer força maior que os guie em direcção àquele acto. E, se calhar, são essas que levam o cãozinho a passear, supostamente com todo o amor e carinho. Mas porque raio o cão há-de valer mais que o insecto? Até no tratamento com os animais, não há justiça social instalada. E sem terem atenção aos pequenos gestos falam, ratificam, debitam… como se fossem os donos da verdade!


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Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Prosa abominadora da velhice

 

É de uma crueldade a toda a prova. Quem me dera nunca envelhecer. Garanto-vos que quando me chamam imaturo tomo isso como um elogio. E outra coisa sempre que me dizem que todas as idades têm uma beleza dá-me uma súbita vontade de vomitar. Se envelhecer é o triunfo do conhecimento eu quero ser estúpido. Porque ao menos no auge da minha trabiqueirice posso ter a liberdade de fazer o que quero.
 
Não, eu não bebo chá. Nem coloco mantas nos pés quando me sinto com frio no Inverno. E os Aspegics são para maricas. Prefiro ser assim, rebelde e rufia, enfrentando os males do corpo com a inconsciência da mente. Porque acredito que ser teimoso é uma virtude.
 
Por muito que me doa a cabeça, os óculos nunca irão poluir a minha face. E não aceito brancas. Petrifico-me quando me dizem que o Clooney e o Gere são símbolos de charme. Prefiro comer batatas fritas, hamburgers, chantilly e tudo o que possa provocar colesterol, essa simples característica do meu corpo.
 
Confesso que às vezes acordo e, por momentos, sinto que estou atrasado para a escola. Só por um momento gostava de pegar num caderno de napa preta, atravessar a rua e ter o frete de assistir a uma aula. Fazer uma pergunta ao professor só para parecer que estive atento. E de resto nada, de facto, me realiza. Apenas disfarça o escape que sinto quando tilinta o tempo livre.


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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Espírito de grupo

 

Se há algo que gosto na minha pessoa é o facto de não aceitar as coisas por si sem antes as analisar e as contestar conveniente. Não concordo, por exemplo, com a noção mais ou menos universalizada de “espírito de equipa”, necessária para o sucesso de qualquer empresa ou instituição.
 
Para mim, um todo representa o somatório das partes. Se as parcelas, devidamente equilibradas, conseguirem obter o máximo rendimento “per si”, porque motivo havemos de as articular e desequilibrá-las. A isto junto o facto do ser humano representar um elemento de acção extremamente complexo. Com efeito, há indivíduos que rendem muito mais em termos próprios do que no colectivo. Para mim, o espírito de equipa dilui-se a partir do momento em que todos conseguem fruir num mesmo sentido.
 
Lembro-me de ouvir, uma vez, o antigo treinador do Benfica falar disso mesmo. Justificava, segundo ele, que o facto de ser o líder da equipa não pressupunha automaticamente ser seu amigo. Eu estou plenamente de acordo, até porque a visão emotiva pode muitas vezes condicionar o trabalho desempenhado.
 
É claro que esta minha perspectiva se dilui no nosso grupo de amigos. É para aí, sim, que toda a nossa componente emocional deve ser transporta até porque nesse local não há perigos de competitividade. Num bom grupo de amigos cada um desempenha o seu papel sem estorvo dos demais, havendo uma sintonia intrínseca.
 
Planos sociais que merecem posturas diferenciadas por parte de quem os representa e interpreta. Eu, na minha perspectiva mais racional, penso que é o caminho mais adequado rumo ao equilíbrio, à não existência de stress e à realização. O espírito de grupo profissional, para mim, não é um conceito pré-adquirido. Tal como a maior parte das coisas da vida, é discutível


publicado por Gil Nunes às 14:53
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Terça-feira, 21 de Abril de 2009
Pete Sampras, Sr.Pinto, Guy Forget e Frederico Gil

 

Considero o ténis um desporto difícil de analisar e explicar. Para mim é uma modalidade que envolve uma enorme complexidade táctica, numa batalha em que se tentam sempre explorar os pontos fracos dos adversários. Não é, de todo, um jogo simples.
Quando era miúdo, e aproveitando a vizinhança, deslocava-me muitas vezes a casa de um vizinho, Sr. Pinto, para com ele assistir a algumas partidas. Fumador inveterado, o homem “marchava” quatro maços por dia e as cortinas não o deixavam mentir: outrora tinham sido brancas. Morreu com 90 e tal anos com uma infecção na bexiga, facto que coloca em causa muitos almanaques médicos.
O Sr. Pinto percebia muito de ténis e eu gostava de com ele apreciador algumas partidas. Eram os tempos de declínio de Stefan Edberg e da ascensão da senda “Magnus”, com Gustaffson e Larsson. Na Alemanha, Boris Becker ia mesclando exibições menos conseguidas com performances de grande nível, aparecendo na elite Michael Stich. Já em França dava nas vistas um jogador de qualidades muito curiosas. Nunca, em toda a minha vida de apreciador de ténis, vi um tenista tão evoluído tecnicamente como Guy Forget: a subtileza das suas pancadas e a forma como sabia de jogar de forma bonita e eficaz tornava-o uma referência. Contudo, foi Cedric Pioline quem maior êxito alcançou, sendo por vezes o adversário dos jogador mais avassalador que conheci: Pete Sampras. O norte-americano destruía praticamente os seus oponentes em piso rápido, massacrando-os da primeira à última bola. Um tenista fabuloso!
Nesta volta ao mundo falta falar da armada espanhola, com a queda de Sergi Bruguera e Emílio Sanchez a ser refrescada com o aparecimento de jogadores como Félix Mantilla, Alberto Costa, Alex Corretja e Carlos Moyá, este último talvez o seu maior expoente.
Prometo prestar mais atenção ao jogo de Frederico Gil mas, dos escassos minutos que vi, pareceu-me um jogador muito evoluído no fundo do court com timings de subida muito corajosos. Tenho uma certa curiosidade em ver um jogo inteiro do português. Sinceramente, gostei muito!


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Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
Dissertação sobre o stress(ou falta dele)

Considero-me um verdadeiro fugitivo do stress. Entendo que a existência do stress pressupõe uma primeira escolha nos nossos problemas. Por outras palavras, entre optar por stress ou consequência, prefiro a segunda escolha, até porque é mais fácil de resolver. A solução para o stress passa por um caminho emocional (menos controlável) enquanto que a consequência é contornável por via do pensamento e do raciocínio.

 
Lembro-me da minha juventude, quando um professor mais filosófico me perguntou o queria da vida. “Ter um estilo que me permita a máxima tranquilidade”, respondi, e acho que no seio daquela turma fui o mais sincero. De facto, para quem me conhecer bem, poderá ver que não menti naquela ocasião. No rol das escolhas, profissionais ou pessoas, na maior parte das vezes escapo à alta tensão, preferindo arcar com as consequências.
 
Obviamente está que sinto ansiedade e um pouco de stress, tal como os outros seres humanos. Considero que, nesse capítulo, a minha mente é uma mansão arrumada em que um maníaco pelas limpezas entende que há sempre algo para colocar no sítio. No entanto, observo atentamente o stress dos outros. Brincam com o plástico da esferovite, apertam objectos adequados, e não quero com isto colocar em causa o seu modo de vida, as suas escolhas, apenas constato.
 
Eu confesso que quando quero “arrumar a casa arrumada”, faço algo que me dá algum prazer, muito embora para a maior parte das pessoas possa parecer estúpido. Pego em garrafas de vidro e despejo-as no vidrão. Confesso que no final da tarefa sinto uma certa sensação de alívio. Lembrei-me disso mesmo quando revi no sábado “Beleza Americana”, quando Carolyn Burnham confessou aliviar o stress com uma sessão de tiros ao alvo. Como não sou violento, aqui fica a minha resposta, bem mais ecológica!


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Sábado, 18 de Abril de 2009
O sangue belga de "Always on my Mind"

 

Os frequentadores habituais deste blogue sabem que um dos países pelo qual eu nutro especial simpatia é a Bélgica. Não me vou aqui debruçar sobre os motivos, até porque no arquivo podem descobri-los com facilidade. Contudo, a partir da Europa Central quero fazer uma pequena analogia com o eventual significado de uma música que as rádios me fazem ouvir todos os dias, sem excepção, desde há uma semana a esta parte.
Os que me conhecem melhor sabem, também, que tenho alguma fé e, como tal, acredito que por vezes a Natureza fala connosco, mesmo da forma elementar. As coincidências também existem, por certo, mas a regularidade com que sou bombardeado com “Always on my mind” dos Pet Shop Boys(adaptado do Elvis Presley) é algo que devo registar.
Constato este fenómeno e lembro-me de mais um filme da minha infinita colecção de policiais de Hercule Poirot. Em “Testemunha Silenciosa”, um cão assistiu a toda a cena do crime, havendo o desafio de fazer o animal comunicar todos os passos do crime e identificar o assassino.
A ouvir a música, passa-se sensivelmente a mesma coisa. Não que me vá inteirar fastidiosamente do que ela possivelmente me quer transmitir(seja eu emissor ou receptor) mas gostava que existisse uma espécie de “Bob”, com “sangue belga”, que me pudesse ajudar.
Maybe I didnt treat you quite as good as I should
Maybe I didnt love you quite as often as I could
Little things I shouldve said and done, I never took the time
You were always on my mind
You were always on my mind

Maybe I didnt hold you all those lonely, lonely times
And I guess I never told you, Im so happy that youre mine
If I made you feel second best, Im so sorry, I was blind
You were always on my mind
You were always on my mind

Tell me, tell me that your sweet love hasnt died
Give me one more chance to keep you satisfied
Satisfied

Little things I shouldve said and done, I never took the time
You were always on my mind
You were always on my mind

Tell me, tell me that your sweet love hasnt died
Give me one more chance to keep you satisfied

You were always on my mind
You were always on my mind
You were always on my mind
You were always on my mind
You were always on my mind
You were always on my mind

Maybe I didnt treat you quite as good as I should
Maybe I didnt love you quite as often as I could
Maybe I didnt hold you all those lonely, lonely times
And I guess I never told you, Im so happy that youre mine

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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009
Porque fica bem

Porque fica bem. Além de existirem pessoas que não fazem a mínima ideia do que estão para aqui a fazer, outras há que não têm o mínimo respeito por elas próprias, mesmo pensando o contrário.

 
Apresento-vos o Jazz’n’Gaia, mais uma óptima iniciativa do Pelouro da Cultura, e falo no auge da minha sinceridade, apesar de ser algo que não me cative, malgrado alguns cds da especialidade que possuo. No meio de um tempo morto de quase cinco horas, dou por mim a fazer mais uns exercícios de observação. No meio dos espectadores, existem aqueles que assistem ao espectáculo com todo o interesse; outros há que fingem, representam, dizendo-se sensíveis no final do concerto.
 
Não gostam do evento mas vão porque fica bem. Acreditem que, para além da música em si, existiu outro espectáculo no meio da plateia. Captei várias personagens desse género durante a minha matança de tédio. Como um louco, um alcoviteiro, olhava-os fixamente à medida que eles fitavam o chão, esbugalhavam os olhos, contemplavam o vazio com os seus pensamentos. Mal reparavam na minha atenção, era imediato: máxima atenção no concerto, olhar dedicado e apaixonado, como se estivessem a ver a Terra do topo do Everest.
 
Caem no boião do seu próprio ridículo, mas o amor-próprio interessa para quê afinal de contas? O que importa é, no final, cumprimentar a Maria de Lurdes e ter um bocadinho de conversa de treta. Falar do stress do trabalho, da fase boa que se está a atravessar ou do espectáculo que viram, em que o tema predilecto foi o único a que prestaram atenção.
 
Já imaginaram o que seria parar uma peça de teatro a meio e fazer um teste aos espectadores sobre o que se tinha desenrolado? Eu gostava de ver realizada essa experiência e quase que aposto que os resultados seriam surpreendentes!
 
Divago e vejo esse tipo de pessoas ao lado da Torre Eiffel, por exemplo. Visitam a Torre Eiffel não pelo interesse histórico do monumento, mas simplesmente porque fica bem na fotografia ir a Paris e ficar ao lado do seu ex-libris. A mim revoltam-me, algo que não acontece com todos aqueles que, de forma respeitada, se deslocam aos eventos porque realmente gostam, usufruindo ao máximo de todos os momentos. Bem-hajam!

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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009
Noites de Wroclaw - A dança dos bracinhos

 

As duas noites de Wroclaw foram repletas de animação. Na sexta-feira deslocamo-nos ao “Kalamour”, um bar alternativo que certamente pessoas como o Sami iriam adorar. Nestes sítios, o meu visual latino fica muito deslocado no meio de brincos, piercings e pessoal marado da cabeça. No meio da cerveja lá conheço o maior pintor da Polónia. Sim, porque a minha veia jornalística fez-me cruzar a informação e confirmar aquilo que me estava a ser dito com insistência.
 
E no meio da animação conheço também uma rapariga baixinha bem constituída. O meu “timing” de ataque, mais uma vez, não foi certeiro e deixei-me antecipar por outro indivíduo. Fair-play reconhecido, virei-me para outras conquistas e cedo me deparei com outra rapariga, estava mais eslava, que no meu polaco arcaico percebi ser de Jelenia Gora (uma localidade fronteiriça com a Alemanha). Tinha mau hálito, senti logo. Apesar das curvas eslavas não serem dignas de nenhum quadro do pintor polaco, o que é certo é que conseguia ser aprovada na minha escala de exigência. Eu e o meu amigo ficamos a conversar com ela, até que a conversa fica animada e o pintor decide fazer das suas:

“Assim não pode ser, vamos deitar a moeda ao ar para desempatar”. Escolhi coroa e perdi. Se querem que vos diga nem fiquei muito chateado até porque já me sentia cansado. O meu amigo lá se empandeirou e eu, virando costas, não consegui obter novos pontos de interesse naquela noite. Acabei na mesa do bar a falar com um polaco sobre a instabilidade de exibições do Lucho Gonzalez na selecção argentina e no Porto (o tipo era fanático por futebol) e com o grande pintor polaco, que toda a gente olhava e me dizia que estava a ter uma oportunidade única de convivência.
 
O segundo dia trouxe mais animação. Ainda fomos ao “Capdefora”, onde travei conhecimento com uma rapariga que tinha estado em Peniche. Porém, o ambiente estava murcho e seguimos logo de seguida para o mítico “Mañana”. A festa estava de arromba, muito embora a música latina não fosse a mais apelativa. Foi aí que conheci a Karolyna, estudante de filosofia na universidade da cidade. Na Polónia, para se meter conversa com alguém, é muito fácil. Basta dizermos a baboseira mais estúpida que nos ocorrer que não há qualquer problema de rejeição. Eu, com o meu polaco arcaico, perguntei-lhe se me ensinava a dançar.
 
“Mas tu não és o espanhol, tu é que nos devias ensinar!””
 
“Isso são os espanhóis, eu sou português”
 
Então ela lá me ensinou a “dança dos bracinhos”, adequada ao facto do “Mañana” estar repleto e só podermos mexer os membros superiores. Posso dizer que me adaptei muito bem a este caldo cultural eslavo, tendo obtido bons resultados. A única circunstância que não me agradava era o facto de Karolyna ter um aspecto tipicamente latino: era morena, baixa, com cabelo encaracolado. Digamos que quando me desloco à Polónia estou à espera de jurek e não de caldo verde mas, paciência, são as consequências da globalização.
 
Nos próximos posts contarei a continuação desta aventura por terras de Miescko I, desta vez metendo sapatos pelo meio. Esperem para ver! Bizukae!

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publicado por Gil Nunes às 11:31
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Quarta-feira, 15 de Abril de 2009
A inutilidade da letra "H"

Já imaginaram um mundo construído sem a letra “H”? Dizem que para tudo na vida precisamos de ser práticos e, na minha opinião, o “H” é a letra mais dispensável do alfabeto e da língua portuguesa

 
Pois bem, atentemos bem a fundo na questão e verifiquemos a quantidade de dinheiro que se poderia poupar com a eliminação de uma letra nos teclados “qwerty uiop” convencionais. Teria, por certo, sido uma grande resposta à crise que atravessamos. Mas quem criou o alfabeto não se lembrou de hecatombes financeiras nem de possibilidades de aproximação ibérica.
 
Em termos práticas, podemos ver que a letra “H” no início das frases não produz qualquer efeito na palavra. Nas restantes aplicações podemos muito substituir o “H” pelo “~”
 
Machado = Macãdo
Banho = Baño
Toalha = Toalã
 
Com este tipo de metodologia do alfabeto, poderíamos chegar mais perto da fonética ibérica, aspecto fundamental na assumpção de uma economia una de vanguarda e de investimento agregado. Num mundo que contempla a matemática, nada melhor do que aplicar a mesma metodologia de simplificação em relação à gramática. Se o exercício fosse real e exequível, por certo que existiram resultados surpreendentes.
 
Há letras, também, que poderiam ser eliminadas do alfabeto. Falo do “v”, o que para nós nortenhos já acontece de forma automática. São estas pequenas revoluções que temos de fazer no nosso dia-a-dia, de modo a torná-lo mais fácil, enquadrado e eficaz. Nem que seja apenas no reino da fantasia.
 
PS- Post dedicado ao Ugo.
 
 


publicado por Gil Nunes às 14:57
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