Segunda-feira, 8 de Março de 2010
Contra o orgilho gay. E explico porquê.

 

“A Elisabete é a menina gorda lá da escola. Pesa 100 kg. Mas a gordura não lhe retirou inteligência. Foi a primeira a tirar a carta. A celulite nas pernas faz o corpo balançar nas curvas mas um cinto bem apertado faz milagres. Elisabete não tremeu perante o olhar ameaçador do instrutor. Aprovação na teoria, êxito na prática!
Tenrinha como os nacos do seu corpo, Elisabete ganhou algum protagonismo no seio das suas amigas. Pensava ela não precisar mais de ser gótica como as modas dos Within Temptation. E no sábado lá foram elas à discoteca. A esperança é a última morrer mas a facada dada quando a porta do carro se fechou foi de tal modo violenta que o sangue voltou invisível aos poros da baleia. Os rapazes até a achavam porreira mas preferiam dormir com a Susana, que tem uma cabeça e uma vagina igual a um alguidar de barro. Ou mandar mensagens à Raquel, que tem uns lábios carnudos e uma silhueta nadegal que choca ao som da bateria. Elisabete, tal como todas as noites góticas, ficava apedrejada no seu canto, sorrindo de copo e cigarro na mão enquanto contava os segundos para o regresso a casa e às suas histórias.
O mundo não pode ser injusto. Tinha de ser encontrada uma solução. Elisabete decidiu tornar-se lésbica. E toda a gente, desde os primórdios da primária, lhe dava atenção e carinho. Que corajosa era ao enfrentar males e medos ancestrais. Preconceitos da sociedade. De bombo da festa passou a foco central das fotografias. E conheceu a Madalena. Flash aqui, flash ali, eram convidadas para todas as festas. Tornaram-se confidentes de meio mundo, as amigas predilectas, o telefone atento nas noites de desnorte. A bem ver, só faltava uma peça. A partir daí Elisabete tornou-se feliz para sempre.”
Meus amigos, na minha opinião todas os cuidados são poucos quando nos referimos ao orgulho gay. Porque para mim há muitos homossexuais convertidos que mais não são do que profundos casos de desespero. Por isso, sou totalmente contra o orgulho gay. Mais ainda, sou contra a sua actual visão de que ser gay pode ser “cool”. É uma chancela que não pode existir, porque pode representar um escape, uma fuga a situações de desequilíbrio social. Acreditem, eu saio à noite e deparo-me com situações gritantes. Pessoas que sofrem na calada por causa do seu aspecto físico, de silhuetas assimétricas ou de hipersensibilidade jucosa. Um bocadinho aqui, um comentário acolá e já diz o povo que água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
A criação do orgulho gay, por outro lado, faz com que os homossexuais se auto – discriminem. Por ventura alguém os está a discriminar? Devemos acreditar que não, até porque a homossexualidade é uma orientação conhecida, e não excêntrica, para a maior parte das pessoas. Criar pequenos lobbies – como os bares ou as marchas – origina um preconceito auto – induzido, mesmo que o mesmo seja inconsciente. Ser gay não pode ser um privilégio, um sinónimo de orgulho. Tem de ser algo de natural, respeitável como a orientação sexual de cada um. Sim, eu sou a favor dos casamentos dos homossexuais. Ou melhor é um assunto que me é absolutamente indiferente. A homossexualidade é simplesmente uma orientação sexual, não um modo de vida. Nestas coisas sou como o Saramago em relação à Bíblia, limito-me a ver as coisas como elas são. Mas, como diz o Bruno Aleixo, muita “cautela”. Há muita patologia por esses lados.


publicado por Gil Nunes às 16:43
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
O entrevistado

 

Hoje vi um tipo na meio da rua. Tudo muito normal não fosse a indumentária. Calças azuis – escuras impecavelmente vincadas, camisa aos quadrados e um pullover ao pescoço, com o nó de marinheiro geometricamente solto no pescoço. Cabelo penteado com risca ao lado e óculos com pouca graduação. Duvido que o tipo precissásse de óculos para fazer fosse o que fosse. Era mesmo só para dar aquele aspecto politicamente correcto de profissional dedicado, que chega a horas ao posto de trabalho e é extremamente afável com os colegas. Poucas dúvidas tenho: o tipo ia a uma entrevista de emprego.
Eu se fosse gestor de recursos humanos das primeiras coisas que fazia era ir a um infantário com uma tela gigantesca, e pedir a um conjunto de miúdos que a pintassem da maneira mais “javarda” possível. Depois colocava o quadro no meu gabinete. Mal entrássem os candidatos eu perguntaria:
“O que pensa deste meu quadro?”
Tenho a certeza que aquele fulano, que eu hoje vi passar,diriaque se tratava de um magnífico exemplar de arte abstracta típico de uma transmissão de mensagem profunda e estado de espírito melancólico por parte do autor. Ou daria uma resposta menos criativa, dizendo que era muito bonito e que ele próprio tinha como principal passatempo a pintura. É claro que se ele me surpreendesse com uma resposta sincera eu estaria disposto a matar o meu estereótipo. A mudança de opinião é sempre permitida!
Quando tudo bate muito certinho, para mim nada bate certo. Naquela pequena fila de trânsito tracei o perfil àquele indivíduo que passou. Penso que ele não foi longe na entrevista de emprego dele. Se eu fosse o recrutador pelo menos já estava com pontos negativos na avaliação.  E eu aposto que aquele tipo não precisava de óculos!
 


publicado por Gil Nunes às 12:19
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Robert Enke e Prof.Chibanga

 

A NASA emitiu ontem um comunicado no sentido de esclarecer as pessoas que o mundo não vai acabar em 2012. Nada de mais. Teria interesse se tivesse emitido um comunicado a dizer que o mundo ia acabar. Isso sim tinha piada.

Mas o mundo acabou para Robert Enke. Circunstâncias várias da vida ditaram o seu fim prematuro ele que, pelos relatos, era realmente uma boa pessoa. Se querem que vos diga foi um acontecimento que me tocou muito mais do que a morte do Raul Solnado. Eu já conhecia a história dele, era admirador da sua carreira enquanto guarda – redes e considerava-o um óptimo desportista. Tenho uma opinião muito semelhante em relação a Nuno Gomes. Acho-o um tipo impecável.
 
Depressões, tristezas, agruras múltiplas. O que não faltam por aí são pessoas a sofrer. Talvez por estarem manietadas a um estilo de vida, por terem vergonha de não se assumirem como crianças, de mergulharem na mesquinhez. Não falta aí gente que necessita de ajuda. Irrita-me é que não se questione.
 
Se por vezes tenho fé noutras também sou céptico. Porque devemos acreditar em profecias quando o que está para trás padece de confirmações? O Professor Chibanga não nasceu agora. Tal como hoje acontece, também os contadores de histórias ganharam notoriedade social. E a história relata tantas coisas incríveis e eu às vezes dou comigo a pensar: porque é que eu, com 28 anos, nunca assisti a nada de divinamente assombroso?
 
Bem, eu se calhar assisti. Tento ser o mais grato possível e louvar o meu estilo de vida. Podem dizer que eu tive sorte, que sou despreocupado, mas eu acho que também tive algum mérito. Não gosto é de ver mortes prematuras. E a do Enke é mais uma lição. Da minha parte vou tentar a mensagem aos outros de forma mais profunda. Porque não quero que o mundo acabe, pelo menos para ninguém. Quanto ao Nostradamus, paciência, ele que continue a falar que eu até lhe ajusto o palanque!


publicado por Gil Nunes às 11:50
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Um pouco de filosofia

 

Ainda ontem falei de etapas. Mas não é uma palavra que eu goste. Aliás, eu sou aceito etapas na altura da Volta a Portugal em Bicicleta. Para mim as etapas são muito relativas a partir do momento em que sabemos aquilo que queremos. Na maior parte das vezes rejeito-as, gosto de ir directamente aquilo que pretendo sem rodeios. É como o espírito de grupo, também considero algo de muito discutível.
 
Dois pontos fundamentais nesta análise: o facto da vida ser efémera e, como tal, o tempo ser escasso; se sabemos o princípio e o fim, precisamos do meio para quê? Mas todo este raciocínio pode resultar em ansiedade. A existência das etapas pode desencadear uma melhor digestão dos sentimentos, das emoções mas ao fim ao cabo, pode gerar uma série de recuos que nos impedem de concretizar o êxito.

Mais importante do que qualquer etapa ganha fundamento para mim o conceito de sabermos exactamente aquilo que queremos. Traçar um caminho e ir por ali fora sem reagir a comentários adversos. Se é passível de erro? È tão passível como qualquer outro caminho por etapas. Mas tem uma vantagem fundamental: o tempo. Pensando assim ganhamos tempo para fazermos outras coisas e eu sou daqueles que concorda que mais vale fazer mal do que não fazer nada, ao contrário de muitas pessoas.


publicado por Gil Nunes às 13:25
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Sábado, 17 de Outubro de 2009
Carta de solidariedade ao meu sofá

 

É a divisão da minha casa que menos uso dou. Ou melhor, é a divisão mais prática, prostituta, descolorida que uma casa pode ter. Qual é o interesse de uma casa –de-banho para além da sua dimensão de limpeza e asseio?
Fazem-me confusão todos aqueles que vão ler o jornal para a casa-de-banho. Calças em baixo surge toda uma componente reflexiva que induz o pensamento e o julgamento crítico. O sofá, estático na sala, sente-se ofendido e amarrado. Ele, que é amplo e confortável, apenas se pode contentar com “As Tardes da Júlia” ou o “Preço Certo”. Agora, aquele pequeno círculo de mármore tem todo o tempo  para ficar a par do que se passa do outro lado do mundo; de saber as cotações da bolsa e mesmo de descobrir alguns dos segredos da Herta Muller, o novo Prémio Nobel da Literatura.
Intriga-me. As pessoas são capazes de passar horas no IKEA, fora a posterior discussão, a ver qual o sofá que melhor se enquadra às definições da sala. De ver o seu posicionamento, a sua colocação em frente à televisão e de se estudar a sua funcionalidade correlativa com todas as outras divisões da sala. Pois bem, já dizem os holandeses que sem estereótipos seriamos todos mais felizes. Se fosse a eles substituía-os por 4 ou 5 sanitas bem redondas mesmo em frente ao LCD. Que sala bonita! A Herta Muller agradeceria.
Eu mantenho-me, e manter-me-ei, fiel à tradicional definição do sofá. Se tenho de passar tempo em casa que seja lá sentado. Na casa-de-banho limito-me ao “stop and go”. Isto claro mantendo os meus padrões de asseio e de estética. Mas digo-vos: se pintassem a parede da minha casa-de-banho de laranja eu nem sequer me iria chatear. Para mim será sempre uma divisão sem cor, que não merece a profundidade dos meus pensamentos. Tenho dito!


publicado por Gil Nunes às 11:35
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
A evolução distorcida do bloco de notas - Movimento Anti - Moleskine

 

Já não se fazem blocos de notas como antigamente. Blocos rudes, com as folhas a enrolarem à medida que se vão gastando. Todavia, o envelhecimento de um bloco de notas é algo de muito subjectivo: um bom utilizador de um bloco de notas gasta-o rapidamente, matando-a à entrada adulta. È uma relação em tudo parecido com a que acontece entre o individuo e o frango de aviário. Há, digamos, uma espécie de ritual.
 
Infelizmente tenho constatado que o bloco de notas tem sofrido uma evolução distorcida. Por outras palavras, evolui no vazio, para lugar nenhum. A rudeza é substituída pela estética, sem que tal seja sinónimo de eficácia em prol dos desejos do homem. É com particular tristeza que noto uma regressão, e diria mesmo um apanascamento do simples acto de tirar umas notas.
 
No outro dia precisava mesmo de comprar um bloco de notas. Não encontrando quiosques ao meu redor, tive de me deslocar à Fnac para adquirir um. Depois de muito procurar lá encontrei os ditos “Moleskines”, que eu posso descrever como a fina-flor da tragédia do bloco cosmopolita. Não têm aquele formato apresentável, com uma folha azul – e – branca a dizer “bloco A4” ou algo do género. Não! Agora temos um conjunto de folhas com linhas muito estreitas – que nos obrigam a emagrecer a letra o que já de si é extremamente amaricado – envoltas num cartão tipo de papel de parede com as extraordinárias cores amarelo e verde fluorescente.
 
Práticos e funcionais? Pura ilusão. Usei-os no último domingo quando fui a Olival fazer a reportagem de um jogo de futebol. Se diminuir o tamanho da minha letra já é uma tarefa hercúlea, imagine-se o meu transtorno em ter que estar constantemente a abrir o bloco, pois a força da capa (no seu movimento gravítico) impedia que a página se estabelecesse. E assim, em cada jogada de perigo, lá tinha eu de esgravatar à procura da minha última anotação. Mais do que esta falta de funcionalidade, imagino os comentários dos que rodeavam:
 
“Olha, lá vai aquele jornalista do bloquinho amarelo. Já estou a ver, o melhor jogador é o que tem as pernas mais bonitas”
 
E com razão. Funcionalidade e falta de estética são as principais razões para a minha objecção aos Moleskines. E eu, naquela manhã em que tanto quis destacar as defesas de Osório do Abambres, o melhor que consegui foi fixar os voos daquele jovem guarda-redes na minha mente numa espécie de momento Kodak – para mais tarde recordar.
 
Cheguei a casa, fiz a crónica do jogo e aniquilei toda e qualquer tentativa de supremacia Moleskine. Moro num 8º andar e não hesitei em mandar aqueles dois ridículos blocos que me custaram 15 euros pela janela fora. Conservador eu sou, poeta transpareço mas por favor estagnem o movimento evolutivo do bloco de notas.
 
Sei que há muita gente que não pensa como eu. Que aprecia os novos valores estéticos, da encadernação fina e da canetinha acoplada, pronta a registar todo e qualquer pensamento. Eu não lhes chamo de pseudo – intelectuais. Para mim são o traço característico do destino a que a sociedade se confinou. Mais vale parecer do que ser. E viva a supremacia do papel de parede, e que esconda aquele todo aquele devaneio banal. E até parece que já estou a ler:
 
“Numa relação tem que haver cedências de parte a parte. Caso contrário entramos num processo de ruptura”
 
“ O aborto é uma decisão difícil e que tem de ser ponderada”
 
“ Estar vivo é o contrário de estar morto”
 
Penso que a nova face dos blocos de nota se coaduna com o estereotipo do “Marcelo Rebelo de Sousa”. Vamos lá mandar borda fora meia dúzia de frases inteligentes, de La Palisse,  e analisar a realidade como se fosse algo de pioneiro. Por fora pintamos tudo muito bem pintadinho e a coisa passa sem que ninguém se revolte. Força Portugal!
 
 


publicado por Gil Nunes às 12:07
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Os argentinos

 

Procurar o conflito não é mau. Às vezes é o segredo da solidez de várias relações. Mas há pessoas que o procuram por necessidade, outras que o evitam. Uma questão de feitio e das características de cada um, que não quer dizer seja o que for. Por outras palavras uma pessoa conflituosa pode ser excelente, ou uma pacata pode ser traiçoeira. Para mim as várias definições estão interligadas mas não estão relacionadas, vivem em universos diferentes.
 
Às pessoas que procuram constantemente o conflito costumo chamar de “argentinos”. Se repararem os argentinos conquistam muita coisa, sobretudo no desporto, à custa das suas emoções e da garra que empregam nos seus combates. Procuram o conflito para dele tirarem partido, pois têm aí um ponto forte.
 
Eu aprendi a lidar com os argentinos através do meu vizinho de baixo. Era miúdo e punha a música mais alto e lá vinha ele bater à porta e reclamar; tinha o azar de partir um prato e lá vinha mais um discurso do sossego e da tranquilidade; e eu lá reagia, tentando-me defender da maneira que podia sem me chatear muito. Os conflitos sucediam-se em catadupa e mais um bocadinho estava enclausurado, a navegar à custa dos meus azares.
 
Às tantas dei por mim a pensar. Sim, porque eu acho que a solução para os nossos problemas pode estar ali ao lado. Fiz uma experiência, aliás duas! Para me testar coloquei o “Atom Bride Theme”, dos Blasted Mechanism, nas alturas na aparelhagem lá de casa. Eram 9 da noite e 5 minutos volvidos lá estava o dito cujo.
 
“Já estou farto de lhe dizer qualquer dia chamo a polícia e blá, blá, blá”
 
“Pois….sim….. tem razão” disse eu tentando demonstrar segurança com o cuidado de não vacilar nas minhas palavras.
 
Três dias depois foi mais uma injecção musical, desta vez de “Nookie” dos Limp Bizkit. Uma barulheira infernal e cinco minutos volvidos…nada! Mais uma faixa do cd… e o sossego é a nota dominante! E eu tinha a certeza que ele estava em casa, pois vi-o mais tarde na janela a fumar!
 
Podia ter sido um dia como outro qualquer mas aprendeu-se algo. Eu pelo menos evoluí à custa das minhas experiências. Há milhares de argentinos à nossa volta. Se não queremos conflitos apenas há que compreende-los e lidar com eles em nosso benefício. Agora, acreditem, eu não gosto nada de conflitos, porque acho que se virmos bem a duração da nossa vida, e posta a probabilidade de que a qualquer momento podemos levar com um vaso na cabeça e ir desta para melhor, não me apetece nada passar estas férias a discutir!
 
 


publicado por Gil Nunes às 11:14
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
As escolhas do Anti - Gil

 

Chamava-se “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça” e deve ser dos piores filmes de todos os tempos. Esse e o Vanilla Sky. Dois filmes confusos, sem interesse algum, que apenas me provocaram sono. Digamos que me causaram uma espécie de asco imediato. O contrário do prazer, o apogeu do meu avesso, o gáudio do Anti – Gil .  
 
“A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” é uma absurda história medieval em que paixão e misticismo se misturam sem nexo algum. Parece um filme feito em cima do joelho. Lembro-me que sai a meio do filme. Aliás, eu já sai a meio de muitos filmes. Olhem, foi o que aconteceu no Vanilla Sky. É o Tom Cruise que tem uma vida magnífica, depois tem um acidente e passa tudo a correr-lhe mal. E enfim, são aqueles iluminados que dizem que os espectros se misturam numa nova plataforma de vida etc etc. “È o sentir e o não – sentir, aquele intermédio que existe, percebes?” Não, não percebo. Só sei que o Gronjkaer não joga amanhã contra a Suécia.
 
O Anti – Gil gosta também muito da Norah Jones. Confesso que às vezes dou por mim a pensar que estou a ouvir “Come away with me” enquanto adormeço ao volante. É a verdadeira música do nenúfar. E irrita-me ainda mais por outro motivo: é a música do “fica bem”. “Olha, querida, esta noite temos convidados em casa. Pomos a Norah Jones mesmo baixinho. De certeza que toda a gente vai gostar” E lá está. Os convidados chegam, cagam para a Norah Jones, falam do filmezinho das suas vidas, dão uma risada encomendada e no fim dizem que foi tudo agradável e que têm de repetir mais vezes. Desculpem lá, mas o Gil autêntico acha que os jantares de amigos genuínos têm sempre um pouco de javardice incluída!

Voltando aos filmes, o “Águas Mortíferas” também é decadente. Durante o filme só se vêem tiros e inundações. Eu acho que nem os ciganos do Bombarral, no meio de uma enchente do Ribatejo, conseguiriam ter tanta confusão. E depois vêm aqueles inteligentes a criticarem o cinema português. Ao menos temos a Soraia Chaves e a suas magníficas pernas!
 
PS - O "Anti - Gil" apoia a candidatura de Joaquim Couto à Câmara de Gaia, até porque sofre de hipertensão
 


publicado por Gil Nunes às 16:04
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9/10

 

Contemos até 9. Não, que ninguém nos perturbe. Lá por o Portas dizer que fica feliz por atingir os dois dígitos, não significa que a nossa marcha deva ser interrompida. Toda a sociedade foi construída a partir do momento em que o 9 deu lugar ao 10. Porque não deu lugar a outra coisa qualquer?
O sistema decimal existe porque alguém pensou que deveria ser assim. Na altura os cálculos faziam todo o sentido mas tal como a evolução deveriam fazer mais agora. Se querem que vos diga não sei responder. Podia ser que com um novo número eu passasse a ser bom a matemática. Ou se calhar como sou um incapaz na arte dos números não sei se existe algo que supra este meu desejo.
Gostava de ter nascido com cabeça para números. De gostar de fazer cálculos, de perceber as relações geométricas entre os objectos. Exacto, eu preciso de perceber quais os pesos que sustenham os meus objectos, a minha casa ou simplesmente os meus pés.
Não tenho números, só tenho palavras. Por muito que me entusiasmem não passará de um prémio de consolação. Perfeccionista e exigente? Não sei o que é perfeccionismo, nem tão pouco a exigência. Por enquanto tenho apenas uma criatividade preguiçosa que me faz girar o motor da minha vida.


publicado por Gil Nunes às 01:52
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
Dissertação sobre o stress(ou falta dele)

Considero-me um verdadeiro fugitivo do stress. Entendo que a existência do stress pressupõe uma primeira escolha nos nossos problemas. Por outras palavras, entre optar por stress ou consequência, prefiro a segunda escolha, até porque é mais fácil de resolver. A solução para o stress passa por um caminho emocional (menos controlável) enquanto que a consequência é contornável por via do pensamento e do raciocínio.

 
Lembro-me da minha juventude, quando um professor mais filosófico me perguntou o queria da vida. “Ter um estilo que me permita a máxima tranquilidade”, respondi, e acho que no seio daquela turma fui o mais sincero. De facto, para quem me conhecer bem, poderá ver que não menti naquela ocasião. No rol das escolhas, profissionais ou pessoas, na maior parte das vezes escapo à alta tensão, preferindo arcar com as consequências.
 
Obviamente está que sinto ansiedade e um pouco de stress, tal como os outros seres humanos. Considero que, nesse capítulo, a minha mente é uma mansão arrumada em que um maníaco pelas limpezas entende que há sempre algo para colocar no sítio. No entanto, observo atentamente o stress dos outros. Brincam com o plástico da esferovite, apertam objectos adequados, e não quero com isto colocar em causa o seu modo de vida, as suas escolhas, apenas constato.
 
Eu confesso que quando quero “arrumar a casa arrumada”, faço algo que me dá algum prazer, muito embora para a maior parte das pessoas possa parecer estúpido. Pego em garrafas de vidro e despejo-as no vidrão. Confesso que no final da tarefa sinto uma certa sensação de alívio. Lembrei-me disso mesmo quando revi no sábado “Beleza Americana”, quando Carolyn Burnham confessou aliviar o stress com uma sessão de tiros ao alvo. Como não sou violento, aqui fica a minha resposta, bem mais ecológica!


publicado por Gil Nunes às 16:45
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