Quinta-feira, 11 de Março de 2010
As oito linhas mestras do programa do partido Gil Nunes

 

Já aqui prometi uma vez deixar as linhas mestras do meu programa de Governo. Eu já sei que o país está mal, não precisam que me digam. Aliás todos sabemos, acho que é unânime. Para combater este cenário, seguem as oito principais propostas do partido “Gil Nunes”.
1 – Abertura de cargos públicos, e ministeriais, a políticos estrangeiros
Penso que um dos principais problemas deste país é ser analisado por portugueses. Há situações em que o distanciamento pode ser um verdadeiro foco da realidade. Os problemas podem até ser evidentes e de fácil resolução. Não faltam bons exemplos por este mundo fora que podem ser transpostos para a realidade do nosso país. E, nas empresas privadas, há grandes gestores que não são portugueses. Aposto numa filosofia mais liberal, universal, em prol do desenvolvimento integrado e sustentável.
2- Aumento da rede de aeroportos / cancelamento do projecto da “Ota”
Ao criar pequenas bases aéreas em capitais de distrito, obrigaríamos as companhias de baixo custo a mudarem-se para locais do interior. Se juntarmos a isso a abertura do Ministério dos Negócios Estrangeiros(que vou falar a seguir), poderíamos aproveitar este novo fluxo de pessoas para captar empresas e investimento para os trajectos entre as pequenas cidades e as metrópoles(Lisboa e Porto). Ao mesmo tempo potenciaríamos indirectamente o turismo, a restauração, o pequeno comércio e os serviços.
3- Defesa da regionalização e regionalização transfronteiriça
Para mim só faz sentido falar-se de regionalização quando se tem presente o conceito de regionalização transfronteiriça. Não tem nexo, por exemplo, que um individuo que viva em Chaves ou Bragança tenha de estar dependente do Porto para os serviços sociais e institucionais básicos, quando os pode resolver em Espanha, que fica bem mais perto. A criação de associações transfronteiriças, com autonomia local, pode também servir como forma de melhor se rentabilizarem os fundos e as receitas.
4 – Educação dirigida para os bons alunos / Introdução do castelhano como língua obrigatória
A educação está caótica, e na minha opinião é pelo facto de estar orientada para os maus alunos. Devemos ter um ensino exigente, com avaliações rigorosas, que não tenha problemas em deixar para trás aqueles que não rendam. Para esses, uma futura saída através de especializações não orientadas para o prosseguimento de estudos. A escolaridade obrigatória pode perfeitamente ficar no 9º ano, ou até menos. Por outro lado, ao leccionarmos a língua espanhola a partir do ensino básico estamos a permitir aos futuros cidadãos que, em vez de um mercado de trabalho de 10 mil pessoas, possam usufruir de um de 50 milhões. O desemprego baixaria consideravelmente.
5- Aumento dos Julgados de Paz
A justiça em Portugal está entupida e a solução é mesmo desentupi-la. Parece fácil, mas para mim a maior parte dos processos pendentes decorre de assuntos menores, que poderiam ser resolvidos em organismos de pequena instância. Os “Julgados de Paz” são uma boa solução e, bem organizados, permitiriam um olear mais eficaz do sistema de justiça.
6- Estratégia de potenciação da indústria aeronáutica, naval e piscatória. O mar como atracção turística
Estou plenamente de acordo, neste ponto, com o MMS. De facto a nossa costa é extensa e mal aproveitada. Ao captar investimento nestas três áreas damos também oportunidade a que uma nova atracção se desenvolva. E, com uma costa ampla, nem precisaríamos de centrar esta actividade na metrópole. Para isso, a captação de investimento internacional seria fundamental.
7- Fiscalização imediata do Rendimento Mínimo / Redução dos cargos supérfluos de “Vices”, “Subs”…etc
Portugal é o país do mundo que maior taxa tem ao nível de “vices”, “subs”, etc. Essa situação atrofia a economia do país. Naturalmente que há cargos que serão supérfluos e a criação de um gabinete de auditoria poderia eliminar cargos desnecessários. Por outro lado, a fiscalização do rendimento mínimo eliminaria o chamado “subsídio à preguiça”, filtrando as verbas para quem realmente precisa.
8- Criação de um Ministério dos Negócios Estrangeiros aberto
O Ministério dos Negócios Estrangeiros devia ser composto por empresários veteranos, com uma carteira de contactos que permitisse trazer rapidamente investimento para Portugal. Com liberdade para viajar por todo o mundo seria uma forma de facilitarem as relações internacionais


publicado por Gil Nunes às 00:01
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010
Friedman e a história recente portuguesa

 

Esta semana vem uma entrevista do economista George Friedman na revista Sábado. E vejam lá se ele não diz que a próxima potência emergente vai ser a Polónia. Para mim o cenário é mais ao menos óbvio. Os polacos foram bem inteligentes ao retardar até 2012 a adesão ao Euro. Deste modo recebem mais subsídios – fruto da maior maleabilidade com que podem medir a flutuação do zloty – e realizam mais obras no seu território. Por outro lado, também, perceberam que era uma ideia totalmente irrealista ter, nesta altura do mercado, uma moeda exactamente igual à da Alemanha, o que pressuporia um desequilíbrio total da sua economia.
Geograficamente falando, é vantajoso que os Estados Unidos, inevitáveis líderes do xadrez mundial, autorizem o crescimento da Polónia como principal zona de tampão entre a Alemanha e a Rússia. Na minha opinião, não ver o crescimento da Polónia é tapar o sol com a peneira.
Mas o que aconteceu em Portugal? Em 2001 o Governo da altura, de forma errada, decidiu que o nosso pais haveria de fazer parte do pelotão da frente da moeda europeia. O grande responsável por essa adesão – e também pela situação actual que se vive neste país – dá pelo nome de António Guterres. Foi um verdadeiro salto no desconhecido. Passamos de uma moeda fraca mas ajustada à realidade do país para uma moeda forte completamente desajustada. Para mim, foi a mesma coisa que nos deixarmos iludir pela magnífica veia goleadora do Cagoitas no São Pedro da Cova, e no dia seguinte o colocarmos a jogar como titular do FCP no jogo da Liga dos Campeões.
Antes, no final dos anos 90, foi também a altura do aumento dos subsídios sociais desmesurados, que deram azo ao chamado incentivo à preguiça e à molenguice. Naquela altura havia dinheiro, hoje não há. Num cenário de completa irresponsabilidade os portugueses passaram a estar endividados. E em tudo. Gastaram-se milhares em twingos, plasmas e em Nintendos. Nas ilhas sociais, proliferavam as antenas parabólicas. E, nas praias algarvias, o dentuças português mandava uns piropos às inglesas que passavam enquanto deixava para segundo plano a prestação da casa. Mal por mal alguém haveria de pagar.
E foram também os anos em que os chineses começaram a entrar em força em Portugal. Sem grandes regras, as suas pequenas economias enterraram lentamente as aspirações dos micro comerciantes, sem armas para contrapor  esta guerra de preços, falta de espírito cívico e inteligência a longo – prazo. Os anos 90 causaram problemas sérios de vivência social, desequilíbrio da balança económica e inicio de perda de competitividade do produto nacional. Espero, um dia, ver todos esses intérpretes devidamente responsabilizados.


publicado por Gil Nunes às 19:39
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010
Don Bateman - Evitar e não resolver

Habituei-me a admirar pessoas que não resolvem problemas mas sim evitam-nos. O poeta escocês Robert Stevenson dizia que a altura mais apropriada para parar uma revolução é no princípio e não no fim. Não podia estar mais de acordo. Sou um indefectível admirador de uma data de heróis invisíveis, que preferem passar ao lado da história. Como um anjo da guarda, um suspiro que nos dá tranquilidade no meio do vazio. Don Bateman é um desses homens. Admiro-o muito.

 

Apesar da Liga dos Campeões, ontem parei o meu serão futebolístico. Tinha de ser, o Discovery ia falar sobre o Bateman. Meus amigos, este americano foi o inventor do GPWS, o pai do actual GPS. Depois de alguns desastres aéreos, o cientista canadiano criou um sistema capaz de indicar aos pilotos qual a altura do aparelho e a morfologia do terreno. Parece corriqueiro, não? Hoje vemos tudo em 3D. Este homem, porém, evitou inúmeros desastres aéreos comerciais e, mais do que isso, permitiu que os pilotos passassem a aterrar em situações extremas de nevoeiro. Foi um instrumento precioso na II Guerra Mundial em prol dos Aliados. Agora pensem nas mortes que evitou.
A necessidade, neste caso o desastre, aguça o engenho. Neste caso a solução. Quando se deu o acidente de Cali – em que o avião chocou com uma montanha -  os especialistas notaram que o GPWS não lia a informação que estava à frente do aparelho. Sem Bateman, mas com a sua lição bem presente, nasceu o GPS, instrumento de navegação em três dimensões(via satélite) que hoje dispensa apresentações. Foi uma espécie de "upgrade" do GPWS.
Depois de Cali deu-se o desastre do Concorde, em França. Ficou provado que o incêndio num dos depósitos de gasolina foi causado pelo rebentamento de um pneu, que passou por cima de uma tira metálica deixada por outro avião. Mais do que evitar as tiras metálicas, pediam-se outro tipo de pneus. Nasceu o kevlar, uma fibra cinco vezes mais forte que o aço, que hoje é usada por todas as companhias de aviação. Também agora, após o acidente da Air France, sucedem-se os estudos para se ter uma cobertura de radar total no Oceano Atlântico, evitando-se futuramente o hiato que causou a tragédia.
Quem foi o primeiro Rei de Portugal ? D. Afonso Henriques. E o primeiro a chegar ao Brasil? Pedro Álvares Cabral. Não falo de marketing, mas a história ensinou-me que há sempre um lugar de trono para o primeiro. No mundo da aviação, de ceptro em punho, reina Don Bateman. Seria uma das minhas entrevistas de sonho! Gostava tanto que os nossos políticos fossem assim...


publicado por Gil Nunes às 00:21
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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010
Paulo Rangel . o PSD e Tracy Chapman

 

Paulo Rangel é culto. Prático. Tem ideias. Lembro-me de uma vez o ter visto falar sobre o seu livro “O Estado do Estado” numa entrevista dada ao Mário Crespo. Tinha-se lançado há pouco tempo na aventura das Europeias. Em vez de se masturbar mediaticamente, aliás como fazem grande parte dos comentadores da nossa praça, Rangel trocou o livro por miúdos. Teve como principal preocupação explicar as correntes em questão (Marx, Lenine) com simplicidade e clareza, chegando ao telespectador com facilidade. Logo aí gostei dele. Não era como outros que se colocam num pedestal televisivo e, de forma encriptada, pensam que podem dizer os lampejos intelectuais que entenderem que, quando ditos sob a forma de vocabulário difícil, não passam por disparate.
Comecei a ouvi-lo com mais atenção. E dei-lhe o meu voto. Visão europeia integrada mas não megalómana, com propostas muito interessantes ao nível do trabalho, sobretudo. Um novo Erasmus para o primeiro emprego é uma ideia inteligente e versátil, que dinamiza e estimula a educação e a juventude. Contabilidade acessível e transparente, sem rodeios, é uma aposta séria, que chega ao cidadão com facilidade. Eu também assino por baixo. Espero que ele ganhe as directas do PSD e que depois se imponha. Depois que tire do poder aquele tipo que convoca conferências de imprensa para dizer que inventou o “Soft Sense”, e que vai substituir o sabonete tradicional das escolas portuguesas. Enquanto ele empasta as mãos aos microfones da TSF o Joaquim, que vive do rendimento mínimo, liga para a TV Cabo a pedir a Tele Cine. No PSD, entretanto, estão todos preocupados com questões ornitológicas.  Para quem não sabe eu votei Paulo Portas nas últimas legislativas.
Um dos principais problemas do PSD depara-se com o chamado “Grupo da Cordinha”. Todos tecem opiniões acerca de todos, deixando-se o essencial de lado. Eu acho muito bem que o melro seja candidato, tem todo o meu apoio, é um homem com um passado político considerável blá, blá, blá. Sabem que mais? I don ‘t give a damn. Estou-me bem nas tintas se o melro apoio a cotovia ou se a avestruz se incomoda com a ascensão do pombo – correio. E propostas sérias para se tirar o “gajo do Soft Sense” do poder? Onde estão? Meus amigos, as do Rangel eu via-as.
Há certas alturas na vida em que o Paulo Rangel passa para segundo lado. Quando aparece boa música, por exemplo. Ainda ontem estava a meditar no café, sem pensamentos na vasilha, quando comecei a atentar no álbum que tocava. Era da Tracy Chapman. Às vezes temos a tendência de chapar os artistas com o primeiro tema que nos é apresentado. Neste caso foi aquela história do “There is fiction in the space between”.  Acho uma música muito pastelosa, com um ritmo muito constante. Mas desse álbum tudo é ao contrário. Um cd interessante, versátil, com uma mescla de ritmos não tipicamente norte – americana. Muito porreiro, acreditem. É aquilo que eu chamo de música de “torneira” . A água é formada por várias componentes mas quando abrimos a torneira é apenas água. E desliza bem na garganta, até quando não temos sede. Nessas alturas todos os políticos passam para segundo plano.


publicado por Gil Nunes às 10:13
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
O pensamento Marcelo Rebelo de Sousa

 

Para melhor descrever o pensamento “Marcelo Rebelo de Sousa” convido-vos a verem o filme “O Diabo veste Prada”. Há uma cena em que a Miranda, a dona da revista, vai a uma recepção política e a assistente, a personagem principal, fica encarregue de fixar os nomes de todos os convidados. Dizendo-os em surdina, Miranda desta forma não podia ficar mal.
 
Imaginemos Marcelo Rebelo de Sousa numa cerimónia, vamos ver, de embaixadores da União Europeia. A partir de tópicos vou tentar transmitir aquilo que me vai na mente e, por outras palavras, dar-vos a conhecer aquilo que eu penso desse “artista”.
 
1 – Marcelo Rebelo de Sousa coloca-se nas escadas, em posição estratégica para receber os convidados. Propositadamente perto de jornalistas ou indivíduos que supostamente são estupidamente perspicazes. Pensam que perceberam o que se passou por detrás da cortina mas não viram que existe ainda outra cortina por detrás dessa.
 
2- Chega o primeiro embaixador, Marcelo puxa da palavra “Emba… (que inicia ambas as palavras em português, inglês, espanhol e francês) seguindo-se uma risada abdominal.
 
A)    – Resposta inglesa com “o” transformados em “u” – Hipótese Embaixador do Reino Unido. Questão resolvida.
 
“For so long my friend, how are you?” pergunta Marcelo.
 
B)     Resposta inglesa com palavras muito lentas- Hipótese qualquer um dos países da Europa de Leste ou Escandinávia. Accionado neurónio do frio.
 
“This heat is killing us. Isn’t it ahahaha?”, pergunta novamente esperando que um dos embaixadores responda qualquer coisa do género “Aqui não é nada. Em Estocolmo até as tripas nos saltam” para a partir daí accionar o botão “Suécia” e por ai adiante, identificando os outros por exclusão de partes.
 
 
C)    – Resposta francófona com sonoridade cantada – Hipóteses França, Bélgica, Luxemburgo ou Suiça;
 
“ Comment t ´allez vous mon ami? Bonne revenues dans votre pays, n’ est pa? – pergunta , porque normalmente este países têm sempre boas notícias, seja do ponto de vista económico, cultural ou social. Se têm más notícias, o que é raro, há sempre qualquer notícia recente mais animadora
 
E por aí adiante, consoante cada um dos países da União Europeia.
 
Conclusão dos jornalistas à sua volta e dos indivíduos impressionados com o seu brilhantismo.
 
“ Este tipo é fabuloso, tem uma cabeça formidável. Conhecia os gajos todos, é incrível. Ele tem uma enciclopédia na cabeça!"
 
A sério, se não consegui fazer-me explicar, vejam ou recordem o filme!


publicado por Gil Nunes às 15:57
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
A evolução distorcida do bloco de notas - Movimento Anti - Moleskine

 

Já não se fazem blocos de notas como antigamente. Blocos rudes, com as folhas a enrolarem à medida que se vão gastando. Todavia, o envelhecimento de um bloco de notas é algo de muito subjectivo: um bom utilizador de um bloco de notas gasta-o rapidamente, matando-a à entrada adulta. È uma relação em tudo parecido com a que acontece entre o individuo e o frango de aviário. Há, digamos, uma espécie de ritual.
 
Infelizmente tenho constatado que o bloco de notas tem sofrido uma evolução distorcida. Por outras palavras, evolui no vazio, para lugar nenhum. A rudeza é substituída pela estética, sem que tal seja sinónimo de eficácia em prol dos desejos do homem. É com particular tristeza que noto uma regressão, e diria mesmo um apanascamento do simples acto de tirar umas notas.
 
No outro dia precisava mesmo de comprar um bloco de notas. Não encontrando quiosques ao meu redor, tive de me deslocar à Fnac para adquirir um. Depois de muito procurar lá encontrei os ditos “Moleskines”, que eu posso descrever como a fina-flor da tragédia do bloco cosmopolita. Não têm aquele formato apresentável, com uma folha azul – e – branca a dizer “bloco A4” ou algo do género. Não! Agora temos um conjunto de folhas com linhas muito estreitas – que nos obrigam a emagrecer a letra o que já de si é extremamente amaricado – envoltas num cartão tipo de papel de parede com as extraordinárias cores amarelo e verde fluorescente.
 
Práticos e funcionais? Pura ilusão. Usei-os no último domingo quando fui a Olival fazer a reportagem de um jogo de futebol. Se diminuir o tamanho da minha letra já é uma tarefa hercúlea, imagine-se o meu transtorno em ter que estar constantemente a abrir o bloco, pois a força da capa (no seu movimento gravítico) impedia que a página se estabelecesse. E assim, em cada jogada de perigo, lá tinha eu de esgravatar à procura da minha última anotação. Mais do que esta falta de funcionalidade, imagino os comentários dos que rodeavam:
 
“Olha, lá vai aquele jornalista do bloquinho amarelo. Já estou a ver, o melhor jogador é o que tem as pernas mais bonitas”
 
E com razão. Funcionalidade e falta de estética são as principais razões para a minha objecção aos Moleskines. E eu, naquela manhã em que tanto quis destacar as defesas de Osório do Abambres, o melhor que consegui foi fixar os voos daquele jovem guarda-redes na minha mente numa espécie de momento Kodak – para mais tarde recordar.
 
Cheguei a casa, fiz a crónica do jogo e aniquilei toda e qualquer tentativa de supremacia Moleskine. Moro num 8º andar e não hesitei em mandar aqueles dois ridículos blocos que me custaram 15 euros pela janela fora. Conservador eu sou, poeta transpareço mas por favor estagnem o movimento evolutivo do bloco de notas.
 
Sei que há muita gente que não pensa como eu. Que aprecia os novos valores estéticos, da encadernação fina e da canetinha acoplada, pronta a registar todo e qualquer pensamento. Eu não lhes chamo de pseudo – intelectuais. Para mim são o traço característico do destino a que a sociedade se confinou. Mais vale parecer do que ser. E viva a supremacia do papel de parede, e que esconda aquele todo aquele devaneio banal. E até parece que já estou a ler:
 
“Numa relação tem que haver cedências de parte a parte. Caso contrário entramos num processo de ruptura”
 
“ O aborto é uma decisão difícil e que tem de ser ponderada”
 
“ Estar vivo é o contrário de estar morto”
 
Penso que a nova face dos blocos de nota se coaduna com o estereotipo do “Marcelo Rebelo de Sousa”. Vamos lá mandar borda fora meia dúzia de frases inteligentes, de La Palisse,  e analisar a realidade como se fosse algo de pioneiro. Por fora pintamos tudo muito bem pintadinho e a coisa passa sem que ninguém se revolte. Força Portugal!
 
 


publicado por Gil Nunes às 12:07
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
Em Portugal há sempre opiniões

 

No rescaldo das eleições autárquicas, que quase não assisti por cumprir o meu ritual dominical de descanso intenso, ressalvo especialmente os iluminados que emitem opiniões por tudo e por nada.
 
Na minha sonolência faço um zapping rápido e toda a gente debita informação sobre eventuais causas da derrota do partido “A” no concelho “B”. O que eu acho fabuloso é que, a partir do momento em que não se percebe nada, começa-se a falar caro.
 
No livro que estou a escrever “Os Pensos de Fígaro” existe um encontro de chefes de estado entre o nosso Primeiro – Ministro e Malam Tugalu, da Suazilândia. Como não se entendem nem sabem nada de cada um dos países, mandam para o ar informação sobre política externa.
 
Em Portugal não ter opinião não é digno. Dizer que não se sabe não é sinónimo de estupidez mas sim de desatenção. Toda a gente percebe de tudo, ou pelo menos aparenta perceber. Mas, no caso em concreto, ninguém fala do factor sorte, da falta de formação da população ou diz simplesmente que não está inteirado em relação ao assunto. Porque assim é que está certo.

Voltei para a cama e continuei a dormir. Foi um domingo igual aos outros. Só a espaços vi a noite eleitoral, com pouco interesse


publicado por Gil Nunes às 11:49
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
A hegemonia da cotonete

 

Volto hoje ao vosso convívio diário para vos falar de algo que me atormenta: a hegemonia das cotonetes no sistema auricular de limpeza.
 
É com consternação que vejo que fomos capazes de evoluir da vassoura para o aspirador. Os nossos rudimentares regadores foram substituídos por eficazes mangueiras, capazes de verdejar o recanto mais ínfimo do nosso jardim; aos poucos o “Sonasol” foi desaparecendo, em detrimento do “Calgonit” que pauta o ritmo das nossas máquinas de lavar.
 
Ao invés, as nossas belas orelhas continuam a ser limpas com um bocado de algodão. O sistema não é prático, até porque o cerúmen é empurrado para dentro, algo que não é aconselhável. Os médicos insistem que a cotonete não é o sistema mais indicado, mas o que é facto é que se tornou o verdadeiro “José Sócrates” da limpeza corporal. Usamos cotonete não porque gostamos, mas sim porque não temos alternativa melhor.
 
Sinto um certo desconforto ao ver que fomos capazes de navegar no caminho das escovas de dentes eléctricas. E aqui impunha-se um referendo: prefere ter mau hálito e ouvir bem; ou ouvir por um funil e ter uma dentadura à Paulo Portas? Eu, por mim, até que prefiro ter mau hálito. Não sendo muito beijoqueiro, é uma bela forma de me defender contra eventuais intrusos.
 
Penso que esta e outras escolhas devem ser feitas no momento antecedente à evolução. Enquanto isso continuo a fazer malabarismos com a cotonete: não a quero empurrar, quero é fazer um movimento invertido em que o meu cerúmen, em ricochete, é projectado para o exterior. Acreditem que não é fácil, mas para já tem resultado bem.


publicado por Gil Nunes às 12:28
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