Sexta-feira, 4 de Abril de 2008
A interpretação meteorológica do outro

Depois de algumas peripécias de viagem e de alguns textos cómicos, regresso às minhas lides de filosofia, que como sabem muito se debruçam sobre a relação entre eu e os outros ou mesmo só entre os outros.

 

Um dos aspectos que mais se fala na vida quotidiana é a importância de conhecer o outro. Já aqui referi, por inúmeras vezes, que a fala nem sempre pode ser encarada como factor essencial de conhecimento do outro, dado poder ser facilmente manietada, algo que nos cinco sentidos já se torna mais complexo. Contudo, o cerne da questão prende-se mesmo com a própria temática de conhecer. Nesta linha de raciocínio, entra em acção outra componente que desbrava um pouco o espelho sobre quem nos rodeia, falamos da capacidade de sabermos como as pessoas pensam e, assim, anteciparmos o seu comportamento antes inclusive do outro equacionar a perspectiva de fazer algo.

 

Se metermos num boião imaginário diversos tiques, atitudes ou intervenções de um determinado individuo podemos quase que desenhar um gráfico mental do seu pensamento, prevendo um comportamento futuro perante as mais variadas situações, tal como fazemos com o estado do tempo. É aqui neste ponto, segundo o que tenho constatado, que o facto de conhecermos o outro nem sempre é vital para adivinharmos a forma como a mesma pensa. Num determinado grupo de pessoas que partilhem um vasto leque semelhante de gostos, cada elemento pode pensar de forma diferente quando entra em situações de conflito, afronta, medo ou alegria.

 

Em termos práticos, esta análise permite uma grande vantagem nas antecipações das acções, o que na rede de defesa pessoal se torna fundamental. Representa, a meu ver, uma espécie de adivinhação científica que nos transporta o cérebro do outro para o nosso, numa espécie de plasma auto-incorporado. E até não é preciso sabermos o seu filme, livro preferido ou viagem de sonho.

 

Presumo que os livros de filosofia já se tenham debruçado sobre este tema. Eu, como só me debrucei por mim mesmo, baptizo-o de "interpretação meteorológica do outro".

 


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publicado por Gil Nunes às 13:00
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