Segunda-feira, 16 de Junho de 2008
Aulas de IDES 12º Ano

 

No meu percurso escolar, penso que se pode fazer o balanço de um aluno calmo, sem grande vontade de estudar compensada com sinceridade e alguma criatividade que resolvia os momentos mais difíceis. Lembro-me de uma vez, numa aula, ter dito que os meus objectivos passavam por “ter o rendimento necessário utilizando para isso o menor estudo possível”. Foi motivo de gargalhada mas lá está foi a minha sinceridade a funcionar. Costumo dizer que toda a gente se prejudica por alguma coisa na vida, sem qualquer hipótese de o evitar. No meu caso, que seja por causa da sinceridade.

Embora as aulas me passassem um bocado ao lado, ainda hoje me relaciono bem com alguns professores que tive, com quem tempo oportunidade de trocar algumas palavras de vez em quando, o que prezo sobretudo pelo facto de não ter sido um aluno brilhante.
 
No entanto, além da síntese positiva, houve uma professora no 12º ano que definitivamente não colhia a minha simpatia. Nas aulas de IDES, tinha a sensação que aquela mulher sabia muito menos do que aquilo que dizia. A disciplina tratava de vários assuntos, numa multitemática que abraçava temas como a União Europeia, a agricultura portuguesa ou o sector das pescas. Ouvi-a a falar e sinceramente achava que ali havia alguma coisa de estranho… pois falava com uma assertividade tal que me fazia desconfiar.
 
Comecei a ser participativo, que até nem era meu auspício. Como lia muitos jornais e via muitos noticiários, comecei a apontar algumas questões menos conhecidas
destinadas a engasgar a professora.
 
Lembro-me que uma vez, no meio de uma dissertação sobre a entrada na guerra da União Soviética, disparei com a pertinente demanda:
 
“Sendo que a Aeroflot está a investir cada vez mais em voos comerciais para os PALOP, de que forma é que considera que esta medida pode contribuir para o estabelecimento de relações comerciais entre as duas partes, tendo em conta a recente instalação em Cabo Verde da empresa X?”
 
Comecei a mandar uma destas uma vez por semana, mas depois não resisti e era mesmo todas as aulas. Achava sensacional a forma como ela dava a volta ao texto, sem nunca me responder ao perguntado, sempre com preocupações de não dar parte de fraca e inculta.
 
A meio do ano lectivo, e como seria de prever, a dita docente começou a perceber. No princípio das aulas pediu à turma para organizar um dossier temático, ou seja, uma compilação de notícias sobre os assuntos debatidos na aula, num trabalho que teria de ser apresentado no final da aula. Assim, sentindo-se perseguida, todas as aulas pedia para saber o desenrolar dos trabalhos e, adivinhe-se, o nº11(eu) estava sempre na tômbola dos sorteados.
 
Tal como ela, sem nunca dar parte de fraco, inventava argumentos sobre notícias esquisitíssimas pelo que a conversa pouco durava. Apenas me encostava à parede dizendo que se não apresentasse o dossier no final me tiraria três pontos da nota final.
 
Fiz o dito dossier duas horas antes da dissertação final. Peguei numa data de folhas de várias disciplinas e encadernei-as. Naquele documento podiam-se encontrar funções afins, derivadas, poemas do Pessoa ou o produto interno bruto português. No topo, bem destacado, uma análise dos membros da GEOTA á falta de aposta em energias renováveis no nosso país. Falei como se estivesse no Senado, não esquecendo as palavras complicadas que fiz questão de sublinhar. O meu dossier, em grossura, ganhava a qualquer um dos meus colegas. Tive uma óptima nota!
 
A disciplina de IDES, na altura, era constituída por seis temas, com o aluno a ter de responder a apenas três no exame final. A professora optou por apenas leccionar três temas, argumentando que os outros eram muito complicados. Pois bem, para o exame apenas me debrucei sobre os temas não leccionados, que achei bem mais fáceis que os escolhidos.

Resultado: sem grande estudo, tirei A MELHOR NOTA DE TODA A ESCOLA naquela fase. Para os meus colegas poucos motivos houve para sorrir, depois de os resultados terem ficado muito aquém das expectativas. Não sou daqueles que se ri da desgraça alheia, mas confesso que daquela vez me soube bastante bem.
 
Devo, porém, reconhecer que a referida professora era muito empenhada na evolução dos alunos, ajudando-os e preparando-os convenientemente. Várias vezes ficava para além da hora a esclarecer dúvidas dos mais interessados. Todavia, aquela atitude de que tudo dominava causou de mim a revolta….


publicado por Gil Nunes às 12:09
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