Sexta-feira, 27 de Junho de 2008
Cartas de Ewa Kolochewa

 

Polónia, país de gente acolhedora, mas sem brio. No ar ainda se sente o fumo da discórdia, os conflitos e as discussões que fustigaram o futuro das gerações. Lá, no leste, as paredes das casas não estão pintadas e os móveis ainda não adquiriram o sentido do gosto.
 
Sente-se alguma anarquia, tristeza no olhar enquanto se recebem os turistas com muitos gestos curvilíneos. Nas cidades, algum investimento estrangeiro é o sustento de algumas famílias. Quando os conseguimos descobrir prezam o trato fácil, a sinceridade e a limpidez de espírito. Dizem estarem fartos de ser enganados, enquanto sorriem com o crescimento da sua moeda.
 
Perguntam-me como é que é o meu país. Digo que venho de um Portugal de brandos costumes, de conflitos mesquinhos e efémeros, onde o futebol faz vibrar multidões e esquecer os problemas da nossa vidinha quotidiana. É verdade, e também atravessamos o tempo como os demais… com agruras, tremores, amores e desilusões, épocas truculentas de decisões difíceis. Mas, como dizia o poeta, eu vim mesmo de um país azul!
 
Recebi hoje uma carta da minha amiga Ewa Kolochewka, que reside em Gliwice. É jurista e recentemente visitou a Ucrânia, onde tem família. Espero que os mais desatentos fiquem com a real noção do que é uma tragédia social:
 
 
“As pessoas na Ucrânia são pobres, mas hospitaleiras. No passado, a Ucrânia sofreu muito por causa de alguns excessos da aristocracia e da nobreza. No meio do século, a Ucrânia pertencia à República Polaca. Depois veio a revolução comunista e muitos cidadãos foram mortos, assassinados quer por movimentos banditistas quer por civis. Dos que morreram, os que mais sofreram foram aqueles que pertenciam à alta classe polaca.
 
Foram tempos sangrentos…após a II Guerra Mundial a Ucrânia foi ocupada pelos soviéticos, tornando-se parte da URSS, contra a vontade do povo que por todos os meios não queria o comunismo. Mas a força imperou. Estaline matou milhões de ucranianos, colocando outros milhões em miséria extrema. Foi terrível, chegou-se a praticar canibalismo, da mesma forma como hoje se vai ao McDonalds.
 
Felizmente que agora, depois da revolução laranja, tudo está mais calmo e felizmente a Ucrânia está aos poucos a mostrar a incrível beleza natural que tem”
 
 


publicado por Gil Nunes às 11:32
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