Terça-feira, 5 de Agosto de 2008
Maddie Boy

Tem enchido páginas de jornais pelo mundo fora mas na realidade ninguém tem certezas sobre o que realmente aconteceu a Madeleine McCann. À luz das pistas recolhidas, dou cordas à imaginação e, ao bom estilo de detective, eis a minha versão do que poderá ter acontecido na Praia da Luz. Tudo o que escrevo a seguir pertence, naturalmente, apenas á ficção.

 
“Madeleine tinha um ar angelical, como um suspiro de Deus colocado numa alcofa de bonecas. Já dizem os lusitanos que as aparências iludem, ou era algo do género, pois Kate não sabia traduzir a expressão para a língua de Shakespeare. Pois bem, por detrás daqueles ventos de menina de catequese, Madeleine era a bolina que conquistava novas paragens. Fosse através de uma raquete, de uma sapatilha ou de um correria desenfreada. Os longos vestidos de princesa eram a rude e desbotada camisola do Shevchenko. Apenas uns olhos de pérola e um sorriso de sal do mar a disfarçar as marotices. Constantes, imparáveis…Maddie Boy!
 
Naquela tarde, Maddie-Boy tinha chapinhado na água até a fazer sangrar. Aquela miúda não parou um instante para tomar café e mesmo as espreguiçadeiras já se tinham tornado hiperactivas. O jovem casal mal via a hora de jantar, onde meia dúzia de risadas atrevidas podiam servir de balanço para uma noite tranquila.
 
Depois daquele reboliço, a pequena tinha prometido deitar-se depois de lavar os dentes. Estourada das correrias, por certo não haveria resistência humana capaz de negar uma bela ninhada de sono. Assim prometera à mãe até uma piscadela de Cérbero lhe colocar o rabinho em cima do sofá”
 
- Mummy, tomorrow we´ll go to the horses. I want to go to the horses”.
 
Era um balanço, um vai-e-vem insuportável que beliscava a já moída mente de Kate. Enquanto fazia as últimas verificações no berço dos gémeos, não se conteve perante o ranger do sofá de engrenagens mal oleadas.
 
“Shutttttttttttt up!”
 
Madeleine parou de sorrir, fez cara séria e tentou nadar na atmosfera. Do sofá caiu que nem um torpedo! E num ápice equestres lá desapareceram as cavalgadas de sonhos.
 
Cenário de tragédia, dor aguda do ser humano cravada no âmago uterino. Porém, do choro compulsivo à racionalidade dos maiores foi um pequeno passo. Tal como os maiores, também para Kate os maus momentos eram uma dádiva.
 
A galope, correu para o restaurante e fez sinal ao marido. Ainda meio aturdido, incógnito com a realidade, Gerry bem que sabia o doce sabor das estrada da vida. Naquela mensagem apeteceu esbofeteá-la, espanca-la, dinamita-la como um parasita. Com as mãos no rosto a esbater as lágrimas, havia agora que sarar as feridas ainda abertas. Bem ao estilo do Expresso de Plymouth, os trunfos passavam agora por caminhar pelos dois trilhos da máscara. Sim, porque as pistas nunca têm de ter relação umas com as outras, apesar de o ser humano imediatamente assim o pensar. E de facto, o melhor local para se esconder algo é onde não se pensa procurar.
 
Meio pensado, dito e feito. Cenário e holofote montados no peluche nunca tocado pela nossa Madeleine, a “Maddie-Boy”


publicado por Gil Nunes às 12:50
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