Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
Memórias do Estádio das Antas

 

Em meados da década de 90 não perdia um jogo do F.C.Porto no Estádio das Antas. Fizesse sol ou chuva, lá caminhava eu com fervor todos os quinze dias de minha casa até ao estádio, com todo o entusiasmo que a sensação me provocava. Era um devoto da causa portista e houve mesmo partidas em que sai mesmo de casa à revelia da família. Depois, com o boom das transmissões televisivas e com o fim das partidas dos grandes ao domingo á tarde, comecei a deixar-me estar pelo sofá. Digamos que desde 1986 a 2000 fui um fiel espectador da catedral das Antas. Chegara a altura de dizer “basta”!
 
De todos os momentos e jogos assistidos, há episódios que não esqueço. O vizinho Costa e os seus palpites tácticos que louvavam o trabalho de Fernando Santos e condenavam a teimosia de António Oliveira. Lembro-me de ele apelidar o Capucho de “Saia Travada”, por causa do seu penteado.
 
Foi com Costa que partilhei o momento de maior euforia que me lembro naquele estádio. Num Porto-Benfica dos anos 90 e, num jogo empatado a uma bola, os lisboetas dominavam a partida, estando muito perto da vantagem. Porém, quando faltavam cerca de dez minutos para o fim, Rui Barros conduziu a bola pelo flanco esquerdo e fez uma fabulosa assistência para Drulovic rematar de primeira sem hipóteses de defesa para Preud’ homme. Numa euforia imensa, eu que estava na zona dos cativos, corremos que nem uns loucos para as redes para abraçarmos o jogador. De todos os golos que festejei ao longo da minha vida, este foi talvez aquele com que mais vibrei.
 
Outro momento que não esqueço foi um F.C.Porto- União da Madeira, em que fui entrevistado por uma rádio. Lembro-me que o F.C.Porto, na altura comandado por Bobby Robson, liderava com uma vantagem confortável sobre os seus opositores. O jogo era pouco cativante e, para se piorarem as coisas, caiu uma verdadeira tromba de água. Resultado: segundo informações oficiais, apenas 150 espectadores!
 
O jornalista perguntou-me o que me levava ao estádio naquele dia e lembro-me de ter respondido que eram naquelas ocasiões que se viam os verdadeiros adeptos e que a mim tanto me motivava ver o F.C.Porto contra o Real Madrid ou contra o União da Madeira. Nesse dia, estive praticamente sozinho na minha zona de cativos. Sem qualquer protecção, ali apanhei chuva por mais de duas horas. Depois a habitual caminhada de mais uma hora até casa. Não, não apanhei nenhuma pneumonia!


publicado por Gil Nunes às 12:52
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