Segunda-feira, 10 de Outubro de 2005
Oportunidade de emprego- Procuram-se interessados para a Al-Qaeda
Boa noite e bem-vindos ao programa. O resumo das notícias da semana para a comunidade islâmica." É neste tom cordial que o apresentador da Voz do Califado se dirige aos espectadores do programa. O noticiário web tem um logo no ecrã e usa uma janela com imagens por detrás do apresentador. O figurino comum de qualquer noticiário, afinal de contas.

A Global Islamic Media Front tentou fazer um simulacro de uma televisão normal para atingir os seus fins de propaganda. Mas recorre a outros meios absolutamente banais para fazer o seu trabalho. Por exemplo, anúncios classificados. Segundo o site espanhol Periodismodigital, esta frente mediática publicou um anúncio recrutando interessados em trabalhar na comunicação da Al- Qaeda, num diário em língua árabe de Londres, o Ashark al-Awsat.

"Procuram-se partidários da rede terrorista Al-Qaeda interessados em colaborar na pré-produção de comunicados e montagem de vídeos para a rede das redes. Existem vagas na produção de comunicação do grupo." Tão banal como o anúncio de uma produtora de televisão em busca de montadores ou operadores de câmara.

Existem no entanto incertezas quanto à efectiva ligação da Global Islamic Media Front a Ben Laden. Desconhece-se a que ramo da "base" este grupo estará ligado; mas sendo a Al-Qaeda uma organização em rede, a ausência de vínculos concretos não significa que não exista adesão ao ideário de base do terrorismo islamita, afinal de contas o cimento que liga os vários nós da rede do terror. A rede distingue-se por não ser hierarquizada e por todos os seus nós terem, potencialmente, o mesmo poder.

No caso desta frente, segundo a Der Spiegel, o estranho é não existirem referências directas a Ben Laden, nomeadamente nas notícias. Pelo contrário, é dada grande atenção a Abu al-Zarqawi, o líder da Al-Qaeda no Iraque. Os dois noticiários conhecidos da Voz do Califado incluíram mensagens gravadas de Zarqawi, uma das quais anunciando a guerra total contra os xiitas.

Um aspecto relevante é o facto de o apresentador falar um árabe normal, sem vestígios de qualquer dialecto que permitisse localizar a sua origem. É plausível que o programa seja produzido num país ocidental, por islamitas no exílio.

A Global Islamic Media Front é uma organização conhecida há vários anos, em particular devido à sua acção na Internet. Apenas são considerados como sendo da autoria da Al-Qaeda os atentados efectivamente reivindicados nos sites deste grupo.

in "O Diário de Notícias"


publicado por Gil Nunes às 17:51
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