Quinta-feira, 28 de Julho de 2005
Os ritos do Senhor da Pedra
O dia vai lentamente fechando a porta do seu planeta mais querido. Ao longe, no enfiamento de um raio que em amarelo transparente desbrava a cortina das nuvens, uma fortaleza pagã nas pedras construídas reflecte em seu redor uma claridade suplente de toda uma tarde em sedentos picotados areníferos. É o reinado da Igreja do Senhor da Pedra, que no auge do seu esplendor chama os Homens exclamando toda a força milenar do seu misticismo!
Com o toque de Adónis e a benção da fantasia mortal, a Capela é sem dúvida o epicentro de toda uma praia que nela se esbate. A profunda comunhão entre os pesados pedregulhos e o intrometido líquido neptuniano resulta numa baía, óptima para banhos e para umas belas chapinhadas ao ritmo da risonha turbulência das crianças. Sim, porque são as futuras gerações que retiram toda a penumbra do ambiente capelar, dando conta do sentimento infantil como a panaceia de todos os males.
Atravessada pela bifurcada avenida, quem por lá passa não deixa de disfrutar do campo de jogos, do divertido fontanário ou do verdejar dos jardins, propício a passeios depois de uma refeição bem tomada nos inúmeros estabelecimentos da zona. No entanto, toda a luz se contempla numa Capela que se apodera de um cenário e que o vigia no mais tumular dos segredos.
Nela, dizem que por lá passam as mais incríveis histórias, abrangidas por personagens que não tem carne nem rosto mas tem alma. Por certo que não se poderá fazer um juízo racional do que lá por dentro se passa, mas os gemidos ecoantes no breu da noite conferem a toda a nossa imaginação um mito de medo mas ao mesmo tempo de mistério. Que segredo tão bem guardado e que histórias por lá se passam, em que os todos os pergaminhos são dobrados, numa suave brisa que parece comunicar e dar-nos a indecifrável resposta.
Mas durante o dia o cenário é calmo. A pegada do “Boi Bento” ou os azulejos dão à capela uma completa envolvente cristológica, no auge da sua paixão. È esta mescla de cristianismo e paganismo que seduz os mais estudiosos. Mas na onda de uma praia que parece não ter fim, aquece cada dia como mais precioso que os anteriores. Mas na praia do Senhor da Pedra não há “carpe diem” mas sim...”Carpe Eternum!”


publicado por Gil Nunes às 12:15
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