Sexta-feira, 8 de Abril de 2005
Profecias....
Antes da eleição de um novo Papa voltam a ser lembradas as profecias atribuídas a São Malaquias, segundo as quais o sucessor de João Paulo II será o penúltimo antes da chegada de "Pedro Romano" e do fim do mundo.
As profecias de São Malaquias, bispo e santo irlandês nascido em Armagh em 1094, foram publicadas pela primeira vez em 1595 e são compostas por 112 divisas correspondentes a outros tantos Papas, a partir de Celestino II, eleito Pontífice em 1130.
O lema do Papa que sairá do conclave, que começa no próximo dia 18, é "Gloria Olivae" (A Glória da Oliveira), interpretado, antes de se conhecer a sua identidade, como tempo de paz ou estirpe mediterrânica. A divisa atribuída ao falecido Papa Karol Wojtyla era "Labore Solis" (Do Trabalho do Sol), interpretada como indicadora de um Papa vindo do Leste, do sol que nasce, ou de um Papa capaz de um grande e prolongado trabalho.
A João Paulo I, morto em 1978 depois de um mês de pontificado, corresponde nas profecias a legenda "De Medietate Lunae" (Da Meia Lua), que está directamente reflectida no seu nome (Albino Luciani, luz branca) e na diocese em que nasceu (Belluno).
Além disso, verificou-se depois que os acontecimentos mais importantes do seu pontificado - a entronização e a morte - ocorreram em noites de Quarto Crescente.
No caso do seu antecessor, Paulo VI (1963-1978), a profecia atribuída a São Malaquias encaixa de forma directa: a tradução da alocução latina "Flos Florum" é "Flor das Flores" ou "Flor de Lis"", que figura no escudo com a insígnia do Papa Montini.
Bastante directa é também a acepção que se aplica ao Papa número 107 da lista, João XXIII (1958-1963),
"Pastor e Nauta" (Pastor e Navegante), já que foi cardeal da cidade dos canais, Veneza, e levou a Igreja ao Concílio Vaticano II.
Noutros casos, a relação dos Papas com os respectivos lemas das profecias é possível apenas mediante explicações bastante complexas, da mesma forma que existem divisas susceptíveis de serem aplicadas a diversos Pontífices, dada a amplitude de leituras que permitem, ou a sua ambiguidade. As profecias de São Malaquias, ainda hoje objecto de acesos debates, mantêm-se vivas porque não atingiram ainda o seu epílogo.
A principal controvérsia gira em torno da sua autoria, dado não haver provas documentais de que foram escritas pelo bispo de Amagh, apontado como autor pelo monge beneditino francês Arnold de Wyon no seu livro de 1595 "Lignum Vitae" (A Árvore da Vida) dedicado aos membros da ordem com dignidade episcopal. Ao referir-se a São Malaquias, o monge de Wyon assinala que escreveu alguns opúsculos mas que, dos seus escritos, apenas viu algumas profecias sobre os Papas, breves e que não chegaram a ser impressas.
Os 74 primeiros pontífices, até ao seu contemporâneo Urbano VI (1590), são enumerados com um curto comentário assinado pelo dominicano espanhol Alphonsus Ciacconius, a quem posteriormente muitos atribuíram as divisas das profecias.
As profecias atribuídas a São Malaquias foram depois difundidas por toda a Europa e investigadas por muitos eruditos, parte dos quais defendeu a sua autenticidade. Após o Papa que sucederá a João Paulo II, as previsões do santo irlandês, canonizado em 1199 por Clemente III e amigo de São Bernardo - que nunca refere as suas profecias -, apontam para o último Pontífice: "Petrus Romanus". O monge beneditino Arnold de Wyon encerra assim a sua transcrição: "Na perseguição final da Santa Igreja Romana reinará Petrus Romanus, que enfrentará muitas atribulações. Depois disto, a cidade das sete colinas será destruída e o temido juiz julgará o seu povo".
Por seu lado, o francês Nostradamus (1503-66), autor das Centúrias, vaticinou que o último Papa, a que chama "Jovialista", poderá ser "francês, de compleição escura, olhos azuis e expressão misteriosa, apresentando um defeito ósseo congénito". Um ano antes de o sucessor de João Paulo II morrer, será descoberto na Santa Sé o "túmulo de um antigo romano" - nas palavras de Nostradamus -, que os exegetas interpretam como sendo o de S.Pedro. Este último Papa "trairá" a Igreja Católica, cuja "base será destruída por um cataclismo", predisse Nostradamus.



In O Comércio do Porto, 8 de Abril


publicado por Gil Nunes às 16:09
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1 comentário:
De Estela a 9 de Abril de 2005 às 07:21
Muito bom esse texto ... será que as profecias se concretizarão?
O tempo é que dirá...

Mas eu não creio...


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