Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
George Orwell

 

Já está disponível no endereço electrónico http://orwelldiaries.wordpress.com o diário do escritor George Orwell, autor de obras como “O Triunfo dos Porcos” ou “1984”.
 
Foi no dia 9 de Agosto de 1938 que George Orwell começou a escrever o seu diário, colocando lá um vasto leque de assunto, desde o aspecto mais corriqueiro do seu quotidiano a questões relacionadas com o comunismo ou a guerra civil espanhola.
 
Segundo os especialistas, o seu diário dá a conhecer uma faceta mais controlada e reservado de um autor que tem suscitado muita polémica na sua obra.
 
Cada um dos posts irá ser colocado setenta anos depois da sua criação original. Terá, então, o seu fim marcado para o ano de 2012.
 
Recorde-se que em 1998 foi editada uma série de vinte volumes do diário de Orwell, da responsabilidade de Peter Davidson.


publicado por Gil Nunes às 16:12
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008
Cora Gallaccio

 

Não chegou sequer a existir, a não ser na mente genial de Agatha Christie na obra “After the Funeral”. E, nesta obra, a personagem Cora Gallaccio até que nem é a principal, mas nem por isso deixa de ter fantásticos motivos de interesse.
 
Que motivos estão na origem da excentricidade de alguém que se julga artista, ou se ambas as características devem estar interligadas, parecem-me temas de extrema pertinência. Esta personagem, apesar de se considerar uma bem sucedida artista plástica, não passa de um flop por si criado, sustentado numa famílias de posses consideráveis e numa relação com um marchand italiano.
 
Toda a personagem, a meu ver, pode ter continuidade no futuro, isto se a colocarmos como tema central de análise. Ao seu redor podemos construir uma história que descreva um cenário construído a partir da visão que o próprio tem do mundo, e da relação que o mundo tem com ela mesma, num resultado final que não desagua de forma harmónica.
 
Acho que seria mesmo interessante retirar a personagem dos anos 30 e posiciona-la nos nossos dias, com novas características mas um mesmo pensamento. É, a meu ver, uma personagem intemporal que contempla uma crítica social, fazendo pontes para a própria psicologia. Um caso de estudo e de divagação!
 


publicado por Gil Nunes às 16:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Sábado, 21 de Junho de 2008
O meu dispositivo

 

Toda a gente tem um dispositivo que acciona a parte criativa de uma forma espontânea. É certo que uns tem uma capacidade de efabulação mais desenvolvida que outros, provocando uma maior corrente de conteúdos a partir do momento que esse dispositivo é provocado.
 
No meu caso, além das musas inspiradoras, funcionam como dispositivo os discursos monótonos bem construídos. É como se estivesse a entrar numa porta. À medida que vou tentando captar a essência do discurso, vou-me perdendo noutras esferas do meu acto criativo. É como se estivesse a mergulhar numa piscina de palavras, e cada uma delas representasse um fio condutor para outros voos imaginativos. Não resulta, no entanto, se o orador não for coerente e dinâmico no discurso
 
É uma mulher inteligente, com uma coerência de discurso que devo elogiar. Até que acredito que se falasse com ela noutras circunstâncias pudesse ser interessante, mas o que é facto é que já não é a primeira vez que ouço Maria de Belém discursar sobre temas que a mim, pessoalmente, não despertam interessante, apesar de logicamente respeitar os devidos temas. Já a ouvi falar sobre a emancipação da mulher, sobre segurança social e, desta vez, sobre o mutualismo. Estava accionado o dispositivo.
 
Naquela meia hora de intervenção saíram para o meu bloco rasgos poéticos de rima fácil, notas sobre situações de emperramento criativo que estou a ter no livro, novas ideias de contos e melhoria de situações de pequenas histórias. Três páginas que vou guardar religiosamente, fruto daquele mergulho de meia-hora extremamente produtiva noutros campos.


publicado por Gil Nunes às 16:35
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008
A poesia e os zeros das funções afins

 

Considero que a poesia é, de todos os géneros de produção de escrita, aquele que mais difícil é de construir. Entendo que obedece a parâmetros e regras bastante específicas, que têm de comportar no mesmo campo uma certa musicalidade, criatividade e articulação das palavras, num trabalho minucioso. Eu diria mesmo que fazer um bom livro de poesia é equivalente a construir uma catedral, ao contrário de um conto, que se pode construir como um fogacho, como um T1.

 

Naquilo que tenho visto, ultimamente, assiste-se a uma tendência para se tomar a poesia como algo de fácil. Alguns novos autores pensam que por fazerem meia dúzia de rimas se tornam artistas. Depois, ainda por cima, exploram pensamentos de tal forma batidos que mais não caem nas auto-estradas da monotonia. Toda a gente sabe que “o mar dá tranquilidade a quem o vê ao final da tarde”. Gostava eu que, em vez de tranquilidade, o mar visse uma girafa e a partir daí se conseguisse fazer uma relação bela e lógica.

 

Pior que os artistas, só mesmo aqueles que julgam que são artistas. Lembro-me uma vez, trabalhava eu no “Comércio de Gaia”, tive oportunidade de assistir a um lançamento de um livro de poesia. Comecei a desfolha-lo e, de tal forma fraco o achei, que me vim embora imediatamente. As rimas batidas e as ideias absolutamente banais constituíram para mim uma autêntica perda de tempo.

 

Ao pegar num livro de matemática, no meio do chinês que vou lendo, ainda assim sou capaz de identificar os zeros de uma função afim. Será que devo avançar para o doutoramento?

 

Ainda assim, há belos exemplos na língua portuguesa de poesia esplêndida. O “Porto Covo”, por exemplo, consegue apresentar musicalidade, criatividade, história, tranquilidade de tempo e de espaço, isto tudo em poucas palavras. Esqueçam a música do Rui Veloso, procurem a abstracção e desfrutem:

 

 

 

 

 

 

 

Roendo uma laranja na falésia
Olhando um mundo azul à minha frente
Ouvindo um rouxinol na redondeza,
no calmo improviso do poente

Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como pratas
E a brisa vai contando velhas lendas
de portos e baías de piratas

Havia um pessegueiro na ilha,
plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem por amor se matou novo,
aqui no lugar de Porto Côvo

A lua já desceu sobre esta paz
e reina sobre todo este luzeiro.
À volta toda a vida se compraz,
enquanto um sargo assa no braseiro

Ao longe a cidadela de um navio
acende-se no mar como um desejo.
Por trás de mim o bafo do estio
devolve-me à lembrança o Alentejo

Havia um pessegueiro na ilha
plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem por amor se matou novo,
aqui no lugar de Porto Côvo

Roendo uma laranja na falésia
olhando à minha frente o azul escuro
podia ser um peixe na maré
nadando sem passado nem futuro

 



publicado por Gil Nunes às 10:25
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
Hibernação de Gustavinho
Depois de “Revalutzia” e “Yawp” tão cedo não se assistirão a aparições do Gustavinho. Eu sei que pareço o cromo do primo Pedrinho quando está a fazer uma birra, mas quero provar que sou capaz de me multifacetar, criando outro tipo de enredos e de personagens. Aliás, a elaboração de “Yawp” respondeu ao pedido de várias famílias que me pediram uma nova aventura do Gustavinho. Seja feita a vossa vontade e a partir do próximo sábado espero que desfrutem! O conto foi construído tendo como fonte experiências pessoais que foram adulteradas e exageradas e com personagens que conheci ao longo dos tempos, que se encaixaram na fantasia, depois de nunca se terem conhecido na realidade. Relativamente à personagem, que um dia ressuscitará com novas histórias, posso dizer que se ela fosse uma sociedade anónima eu seria dono de 51% da sua essência. Os restantes seriam divididos pela minha fantasia e pelas características de alguns que me rodeiam e que me fascinam. Acrescento também que ambos os contos foram escritos em duas tardes, aproveitando os feriados.


publicado por Gil Nunes às 17:16
link do post | comentar | favorito

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
Sjoberg e Lagerkvist- Literatura da Escandinávia

Juntar o útil ao agradável. A frase é indiscutivelmente batida mas reflecte o hábito de descobrir grandes artistas que não sejam conhecidos da maioria das pessoas. Na literatura descobri em Cuba José Marti, poeta que reflecte a identidade do seu povo em todos os meandros dos seus versos. Em Israel Amos Oz, um humanista e universalista, que mostra que os valores da paz são muitos superiores aos de qualquer fronteira. No Egipto, Naguib Mahfouz e, se assim lhe podemos chamar, a sua noção arábico-telúrico. Em França o filósofo das ideias proletárias e do sentimento romântico para além da vida, André Gorz.

E, da Suécia, dois nomes: Birger Sjoberg e Par Lagerkvist. O primeiro, para além de ser um magnífico poeta, distinguiu-se também na música. A sua obra "Pensamentos" mostra a amplitude de uma mente aberta e expansiva a todo o ser, levando-me a reflectir sobre a ânsia dos poetas, a universalidade. Penso que isso fica explicito em  "E nunca o tormento acha um céu e nunca o desejo acha uma terra. É por isso que a poesia existe " a sua frase mais conhecida e citada.

Par Lagerkvist, Prémio Nobel em 1951, deu a conhecer, entre muitas obras, o seu "Anão". Reflectindo a visão de uma personagem extremamente referenciada da idade média, o autor reflecte a fragilidade dos homens em contraponto com a lucidez do anão, sendo um importante contributo, mesmo contemporâneo, para a batalha quotidiana que nos pequenos gestos travamos contra a discriminação.



publicado por Gil Nunes às 13:59
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
Excerto de Revalutzia

Já publicado, mostro-vos um pequeno excerto do meu conto "Revalutzia"

"Eu estava revoltado, fervia por dentro! E aquele sorriso do Padre Tomé, com aqueles braços longos estendidos ao longo do corpo, mais me davam vontade de fazer algo! Eu era o Gustavinho Marques e tinha que ler a passagem, tal como o maricas do meu primo Pedrinho tinha feito há uns anos atrás. “Ainda acabo como aquele paneleiro a tocar saxofone no Conservatório”. Não! Eu não! Tal como o arquiduque Francisco Fernando tinha sido a causa próxima da  I Guerra Mundial, o meu primo Pedrinho era o motivo da minha revolta! Revalutzia!"



publicado por Gil Nunes às 17:31
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
Ensaio

Neste sábado enevoado, o engomado Ivo Peres tentava dar algum alento ao seu velho compincha, aquele das bebedeiras intermináveis nos bares da cidade e que recentemente se tinha divorciado da Cândida após quatro anos de casamento perfeito e mais três de mútua compreensão. “Sabes, pá, até que nem me sinto mal. As coisas lá no escritório vão de vento em popa”, frisava Alexandre enquanto comia uma peça de fruta e lançava a deixa para os temas de trabalho, aqueles que realmente lhe davam prazer. Alexandre tinha uma empresa de mobiliário com bastante sucesso para quem não morava em Paços de Ferreira. Dizia com orgulho e piada que os maiores administradores da capital alapavam o dito cujo em cadeiras pelos seus homens construídas. Não tendo filhos, a “Almeida Móveis” era o calor dos seus dias, a chama com que cozinhava os barbecues da sua alma.



publicado por Gil Nunes às 12:55
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Atelier de Escrita- Recriação da nossa morte

Hoje, no Atelier de Escrita orientado pelo Mário Cláudio, foi solicitada a realização de um texto que recriasse a nossa morte. Aqui fica a minha contribuição:

 

"Tenho 110 anos e mantenho a esperança de ser o primeiro homem a descobrir a imortalidade. Se Colombo descobriu a América porque não ser eu o primeiro a beber do cálice azul?

Enfim, acho que se a morte não existisse, os homens já a teriam inventado. Eu nasci para desflorar florestas virgens, para liquidar axiomas da física e da química.

No ginásio, em frente ao espelho, continuo a pedalar como se estivesse a subir os Alpes. Os meus músculos tonificados pedem uma cervejinha fresca após o exercício. O meu neto, ao fundo, continua a fugir à matemática das flexões. Pobre malandro!

Foi um splash! Um escorrega, um salto, uma queda de moto. Tão repentina a aguda dor no meu peito que nem tempo tive de lá colocar a mão. Morri com o sangue a fervilhar-me as veias, com o meu chapéu de cowboy.

Morreu o homem que sempre foi menino"

 

 

 



publicado por Gil Nunes às 01:11
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
Excerto de "Yawp"
Depois de na passada semana ter dado a conhecer "Os Pensos do Fígaro" fiquem esta semana a conhecer "Yamp", a ser lançado em Março no Café Progresso no âmbito da colecção Há Água em Marte.
"Os sovacos, por vezes, expelem substâncias esquisitas e o ar torna-se nauseabundo. No meu prédio, qualquer constipação seria ténue para se resistir a essa fragância do bosque sovaqueira misturada com a lixívia das escadas. Todos, mesmo todos, arranjavam um pretexto para sair de casa e levar com uma lufada de sem chumbo 95 na cara. Como era revigorante o cheiro a gasolina! Todos, mas todos não!!! Um elemento teimava em resistir agora e sempre ao invasor. Paulo Silva, amarrado aos comandos da Playstation, parecia ter um sistema de refrigeração nasal que transformava aquela penca em estação de tratamento de fedores extremos. Para ele, tudo cheirava a vidro ou a livros."


publicado por Gil Nunes às 17:33
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Abril 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


posts recentes

Prosa poética à repartiçã...

Carta aberta a José Saram...

Desafio literário

Capote e Instinto Fatal 2

A inutilidade da letra "H...

Quem tramou Peninha?

Um episódio com Mário Cla...

A táctica do poio românti...

Contra a morte de Batman

Luciana Stegagno Picchio

arquivos

Abril 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Maio 2009

Abril 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Agosto 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Dezembro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Junho 2004

tags

todas as tags

links
subscrever feeds